Diversidade e integração nos mercados culturais da América Latina

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Do Cultura e Mercado

Por Raul Perez

Foto: Carlos Martinez“Num mundo com grandes massas demográficas, enormes concentrações de capital, avanços tecnológicos permanentes e uma potencia militar mundial, a única alternativa que temos é a integração”, afirma Daniel Gonzalez, antropólogo formado pela Universidad de Buenos Aires e pesquisador dos mercados e políticas culturais da região latinoamericana.

Segundo ele, na última década, o Mercosul permitiu um crescimento impressionante dos intercâmbios – antes focados em grandes empresas transnacionais e agora voltado a empreendimentos de médio e pequeno porte -, mas ainda é frágil.

A solução, na opinião de Gonzaléz, passa pela criação de mercados internos que correspondam às necessidades dos povos, cenário no qual a diversidade tem papel fundamental. “Ela é a melhor barreira para criar mercados próprios. Sem identidade comum e convencimento num destino compartilhado, os acordos comerciais podem fracassar facilmente”, defende.

Nesta entrevista, ele contextualiza o distânciamento entre os países da região e indica como o Brasil, “mesmo sendo hoje a quinta economia mundial”, não pode constituir mercados internos suficientemente potentes, sem fortalecer o relacionamento com as nações vizinhas.

Raul Perez - Como os países da América Latina se distanciaram culturalmente?
Daniel González - A diversidade cultural do continente americano tem sua origem no mesmo processo de ocupação humana, muito antes do ano 10.000 AC. Nessa época os grupos que adentraram a América do Norte pelo Estreito de Bering não eram homogêneos, nem genética nem culturalmente, e, de forma muito rápida, se espalharam pelo imenso território e iniciaram processos de adaptação e inovação divergentes. Então, estamos falando de um verdadeiro processo civilizatório milenar que tem a diversidade como elemento substancial. Os grandes estados e impérios de origem americana, como os maias e aztecas, Tiawanaku e Tawantinsuyu (inkas) tinham um centro étnico que envolvia, de maneiras diferentes , distintos grupos étnicos com variadas fontes culturais,  produtivas, religiosas, etc. A partir da chegada dos europeus, aparentemente se inicia uma etapa de certa homogeneização, mas na verdade o que acontece é o ingresso de mais elementos heterogêneos, que inclui também a chegada forçada de diferentes populações africanas.

Um momento muito importante, definidor, no processo histórico é a constituição dos Estado-Nação no continente. Hoje, nossos países, com seus Estados e sociedades, estão tentando superar as distâncias culturais criadas há duzentos anos. A proposta política, ideológica e também econômica e militar dos responsáveis pela independência dos países latino-americanos de fala espanhola foi de unidade continental, que não incluía ao Brasil. Essa proposta não foi completada, mas persiste dois séculos depois, agora com a imprescindível participação brasileira.

Raul Perez - Atualmente, quais são os maiores desafios que impedem o intercâmbio entre as nações?
Daniel González - Na América do Sul coexistem diversas matrizes culturais que no curso vamos tentar identificar, desde as originárias americanas como a andina ou tupi, o barroco, a modernidade em clave sul-americana. A forma Estado – Nação criou imaginários que nos impedem de aproximar muitos fenômenos culturais de uma perspectiva mais acertada. Ou seja, nossas nações participam de processos culturais muito potentes que nem sempre os Estados podem assumir. Principalmente, a ideia de que a América é um território onde a utopia está sempre presente.

Mas, deveríamos falar não de utopia, sim de utopias, no plural. “A modernidade nos trópicos” (ou seu equivalente nos outros países) é a utopia dos criadores positivistas da maioria das instituições latino-americanas. Apareceu com força nas últimas décadas do século XIX. Mas, muito pouco tempo depois, surgiu na América uma geração de críticos, que aceitando a modernidade chamavam a atenção dos fenômenos populares e dos processos continentais. Na América que fala espanhol voltou à ideia da unidade continental. No Brasil foi surgindo mais lentamente; esses autores, com escassas exceções como o cubano Martí, são nomes desconhecidos.

Hoje, os Estados estão envolvidos em avançar em projetos de integração regional (Mercosul, Unasul). O turismo e internet facilitam certas aproximações, muito importantes sem dúvida. Mas, a integração regional deve permitir novas atividades, novos empreendimentos com novos parceiros. A integração e seus negócios são bem diferentes da clássica imposição norte-americana, ou da atual tentativa alemã na Europa. A diversidade e as utopias podem ser consideradas valores que geram bem-estar e progresso nos processos de integração.

Raul Perez - O Brasil, sendo o país mais populoso da região e um dos poucos com idioma diferente, parece não ter projetos para inverter essa falta de integração. Isso realmente acontece?
Daniel González - Na América do Sul floresceu a semente da fragmentação medieval da Península Ibérica. Esta realidade que hoje tentamos modificar mostra a força e permanência dos processos históricos. O Brasil, como os países de língua espanhola, já tem uma história de mais de um século de tentativas de superação ativa. Mais de cem anos atrás, o Barão do Rio Branco, o grande formulador da política exterior brasileira ainda vigente, propôs uma aliança militar com Argentina e Chile, conhecido como ABC (pelas iniciais dos países). Hoje parece pouco, e uma questão muito afastada dos temas culturais, mas foi muito importante porque o chamado Cone Sul começou a pensar nos países vizinhos como aliados e que qualquer agressão, pelo mesmo, devia ser externa à região. O passo da desconfiança à paz é primeiro uma mudança cultural.

Infelizmente, esta iniciativa ficou nessa aliança, que depois não foi renovada e voltou à desconfiança com os governos militares até os anos 80, com a retomada dos governos democráticos. Os acordos para estabelecer controles mútuos em energia nuclear entre Brasil e Argentina e a firma do Tratado de Assunção que cria o Mercosul, foi possível pelo envolvimento ativo do dirigentes brasileiros. Neste século XXI, assistimos a um salto qualitativo fenomenal. Ainda não somos plenamente conscientes das oportunidades geradas. Um novo desafio é a criação de empreendimentos com sócios de dois ou mais países, que necessariamente tem que contar com a participação brasileira. Eu acho que um limite muito importante que temos em todos os países é o relativo desconhecimento mútuo. Agora existe, mas ainda é superficial. No plano dos negócios, fazê-los num marco de integração é muito diferente do que sem ele.

Raul Perez - Até que ponto as atuais políticas de intercâmbio entre países latino-americanos são eficientes? Podemos falar de uma integração baseada no mercado?
Daniel González - Nos últimos dez anos o Mercosul permitiu um crescimento impressionante dos intercâmbios. Numa primeira etapa estavam focalizados em empresas transnacionais que integravam sua produção, como as automotrizes. Depois, em investimentos financeiros. Hoje é importante para empresas medianas e até pequenas. Mas, ainda é relativamente frágil. Num mundo com grandes massas demográficas, grandíssimas concentrações de capital, avanços tecnológicos permanentes, é uma potência militar mundial, a única, sem opções, alternativa que temos é a integração.

Precisamos criar mercados internos que respondam às necessidades de nossos povos. A diversidade já não pode ser entendida como um empecilho para o bem-estar (o desenvolvimento, o progresso). Ela é a melhor barreira para criar mercados próprios. Sem identidade comum e convencimento num destino compartilhado os acordos comerciais podem fracassar facilmente. Jean Monnet, um dos ideólogos e gestores principais da unidade europeia iniciada no aço e no carvão, afirmou: “se tivesse de voltar ao princípio, começaria pela cultura”. O Brasil, mesmo sendo hoje a quinta economia mundial e tendo um papel muito importante, não pode constituir mercados internos suficientemente potentes em rubros que exigem alto valor agregado. Precisa da outra metade da América do Sul. E o mesmo, mas em condições ainda mais graves e urgentes, acontece com o resto países da América do Sul.

O mercado aparece para muitos como um monstro que devemos evitar. Mas é iniludível. Hoje temos muitos desafios. Eu gostaria ressaltar três: a necessidade de nos conhecer com maior profundidade, a criação de mercados integrados baseados nas matrizes culturais próprias de nossa diversidade, a invenção de um novo modelo de integração que responda a nossa historia e a nossos sonhos comuns. Estou convencido que só assim podemos na América do Sul ter uma posição ativa no mundo. As crises do hemisfério norte algum dia vai passar. Nesse dia, realmente vamos poder avaliar se aproveitamos as imensas possibilidades do presente.

Retirado do Cultura e Mercado em 23/05/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/entrevistas/diversidade-e-integracao-nos-mercados-culturais-da-america-latina/

IV Seminário Internacional de Políticas Culturais

Do Observatório da Diversidade Cultural

O setor de pesquisa de Políticas Culturais Fundação Casa de Rui Barbosa estará recebendo, entre 1º de junho a 7 de julho de 2013, propostas para apresentação de trabalhos no IV Seminário Internacional de Políticas Culturais.

Serão aceitos trabalhos que tenham como foco a área de políticas culturais. O objetivo é apresentação e discussão de estudos que promovam a reflexão e o debate entre estudantes, pesquisadores, professores e demais profissionais e entusiastas da área de políticas culturais.

Poderão submeter trabalhos estudantes em nível de pós-graduação (mestrado e doutorado), mestres, doutores, gestores e professores. As inscrições serão feitas mediante o envio do texto completo que deverá ter entre 9 e 16 laudas (incluindo as referências bibliográficas). Os trabalhos deverão ser em Times New Roman 12, espaço 1,5 e estar em formato Word. Na primeira página do trabalho, devem constar os seguintes itens: título do artigo centralizado, em caixa alta e em negrito; nome completo do(s) autor(es) alinhado(s) à direita, indicando em nota de rodapé o(s) vínculo institucional e e-mail do(s) mesmo(s); resumo de 5 (cinco) a 10 (dez) linhas, com espaçamento simples; e 3 (três) a 5 (cinco) palavras-chave. Somente serão aceitos um trabalho por autor.

O envio do trabalho deverá ser feito exclusivamente por e-mail, para o endereçopolitica.cultural@rb.gov.br, constando em “assunto”: submissão de artigo.
Mais informações: 21 3289-8609  21 3289-8610 politica.cultural@rb.gov.br.

Cronograma:

Período de inscrição de trabalhos: 01/06/2013 a 07/07/2013
Período do Seminário Internacional de Políticas Culturais: de 16/10/2013 a 18/10/2013.

Fonte: Fundação Casa Rui Barbosa

Retirado do site do ODC em 23/05/13 do endereço:

http://observatoriodadiversidade.org.br/site/3768/

Cordas e Cantigas, de Abraão Xingu

Xingu

Lárcio Benedetti – patrocínio cultural como estratégia corporativa

terça-feira, 21 de maio de 2013

Do Blog Acesso

O apoio privado à cultura vem superando um determinado caráter filantrópico, próximo ao mecenato, e cada vez mais passa a integrar a coleção de ferramentas de que as empresas podem dispor para avançar em suas estratégias de atuação. Muitas instituições, no entanto, ainda prescindem de uma política estruturada para a área da cultura. Na outra ponta, também os proponentes de projetos culturais enfrentam o desafio da profissionalização e da qualificação.

Consultor de patrocínio empresarial, Lárcio Benedetti foi responsável, entre 2006 e 2010, pela atuação do Grupo Votorantim na área de cultura, além de ter participado do planejamento e da implantação de programas de patrocínio cultural de empresas como Petrobras e Natura. Em 2012, Benedetti concluiu, na Universidade de Budapeste, sua tese de doutorado – Decision Making Process in Corporate Sponsorship: Open Call as a Strategy to Attract, Screen, Assess and Select Sponsorship Proposals –, abordando o processo de tomada de decisão em patrocínio corporativo, tema sobre o qual o especialista falou ao Acesso.

Acesso – O perfil do patrocínio corporativo à cultura está cada vez mais distante de uma modalidade com características filantrópicas e mais próximo de uma ferramenta integrada à estratégia de atuação das empresas?

Lárcio Benedetti – Eu diria que, em parte, sim. O patrocínio já conseguiu se libertar da filantropia, porém, na maior parte das empresas, ainda não ganhou um caráter estratégico. Evidência disso é que poucas empresas possuem uma estratégia de patrocínio, que é o ponto de partida para uma atuação sólida, perene e consistente. Para essas empresas, o patrocínio ainda é tratado como uma ferramenta tática, esporádica e operacional, muitas vezes utilizada para o mero aproveitamento dos benefícios fiscais provenientes das leis de incentivo. Patrocínio integrado à estratégia corporativa ou de comunicação pressupõe ter uma política estruturada, com foco claro, portfólio coerente de projetos, investimento em qualificação, gestão e comunicação, além de desdobramentos que vão além do patrocínio a projetos em si.

Acesso – Como resultado desse processo, os proponentes vêm, por sua vez, buscando maior profissionalização e melhor qualificação?

L. B. – Sem dúvida. A demanda por profissionalização do setor cultural pode ser notada pela proliferação de uma série de iniciativas dirigidas a gestores culturais, como cursos, blogs, guias, manuais, etc. Acredito que esta procura por qualificação se deve, em grande parte, à crescente prática de bons editais realizados por instituições e empresas. Para ser competitivo em um edital, o proponente sabe que precisa inscrever uma ótima proposta, já que seu projeto será submetido a critérios técnicos – que nada têm a ver com influência ou relacionamento na empresa – e poderá passar por várias instâncias de decisão.

Acesso – Que benefícios dos editais públicos para os patrocinadores você destaca? É essa, segundo sua experiência, a modalidade de patrocínio cultural melhor sucedida?

L. B. – Os editais têm se tornado uma prática comum, não apenas em empresas públicas como também em privadas. Eu destacaria pelo menos sete benefícios que o edital pode propiciar ao patrocinador: é uma forma eficiente de divulgar a política de patrocínio da empresa; gera oportunidades de comunicação em vários momentos; estabelece diretrizes para a apresentação de propostas; define processo e instâncias de decisão; facilita a comparação das propostas inscritas; ajuda a formação de um portfolio de múltiplos; e como resultado disso tudo, tem potencial de transmitir uma imagem positiva associada a igualdade e transparência.

No entanto, isso não significa que o edital seja, em si, a melhor modalidade de seleção de projetos. Há dois grandes riscos para a sua adoção. Primeiro, o patrocinador não deve esquecer que o edital precisa fazer sentido para a empresa. Ele não é sinônimo (mas sim resultado) de uma política de patrocínio. Eu gosto de ilustrar esta ideia com a “Matryoshka”, aquelas bonecas russas aninhadas uma dentro da outra. Nesta imagem, a melhor forma de seleção de projetos é a última e menor boneca. Até chegar a ela, a empresa precisa começar pela maior boneca, que são seus valores e sua estratégia de comunicação. Em seguida, há a boneca que representa a estratégia e a política de patrocínio que a empresa precisa elaborar que, no final, definirá a alternativa de seleção que melhor se encaixa nas bonecas anteriores.

O segundo risco do edital é que ele deve ser cuidadosamente planejado e implementado, uma vez que ele expõe o patrocinador publicamente. Antes de decidir pelo uso de um edital, a empresa deve ter consciência de sua dimensão e importância.

Acesso – Observa-se, no Brasil, situação de dependência das leis de incentivo? O que você destaca como consequência desse cenário?

L. B. – As leis surgiram, como o próprio nome diz, como uma forma de incentivo para as empresas investirem em cultura. Em outras palavras, por meio de benefício fiscal, o Governo daria um estímulo, uma ajuda para o desenvolvimento da prática do patrocínio cultural no País. Porém, o que ocorre é que a maior parte das leis de incentivo possibilita 100% de dedução do valor investido. Ou seja, a empresa patrocina, mas quem paga toda a conta é o Governo. Como resultado, o investimento em cultura cresce, mas sem sustentação, sem solidez. Basta o Governo reduzir o benefício que muitas empresas, infelizmente, deixarão de patrocinar. Ou seja, o modelo de financiamento que, vale lembrar, nasceu para ser temporário, transformou-se numa situação de total dependência. Por outro lado, felizmente, há inúmeros casos de empresas que enxergam o incentivo fiscal apenas como mais um benefício que a atuação em cultura pode propiciar.  Para elas, a possibilidade de dedução fiscal não é fator condicionante para o investimento em cultura – tanto que utilizam as leis, mas também investem recursos próprios. São belos casos em que o patrocínio já está totalmente integrado ao mix de comunicação das marcas.

Retirado do Blog Acesso  em 21/05/13 do endereço:

http://www.blogacesso.com.br/?p=6169

Desenvolvimento sustentável

Do MinC

Brasil e União Europeia unem forças para fazer com que a cooperação cultural entre ambos contribua para avançar a causa do fortalecimento da cultura na governança global. Um dos resultados dessa união são os Diálogos Setoriais União Europeia x Brasil, projeto do governo brasileiro em conjunto com a União Europeia, que realiza, em Brasília, nos dias 21 e 22 de maio, o Seminário Cultura x Desenvolvimento Sustentável.

O objetivo é promover o intercâmbio de iniciativas e ações implementadas tanto pelo Brasil quanto pela União Europeia a favor da diversidade de expressões culturais, sobretudo visando tornar mais efetivo o papel estratégico da cultura no impulso do desenvolvimento sustentável.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, participa da mesa de abertura às 9h ao lado da embaixadora da União Europeia no Brasil, Ana Paula Zacarias.

Serão três mesas, cada uma com um dos eixos constituintes do conceito de desenvolvimento sustentável – desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental. As conferências serão ministradas por convidados da União Europeia e Brasil com experiência acadêmica na gestão pública ou gestão cultural. A configuração da cultura como o quarto eixo do desenvolvimento será tema da palestra final, acompanhada de debate e conclusões do seminário. O conteúdo do seminário será reunido em uma publicação posteriormente.

O Ministério da Cultura busca consolidar, nas políticas públicas, a percepção da diversidade cultural como propulsora do desenvolvimento sustentável, a partir da história e das peculiaridades do país, tendo a cultura como um quarto pilar desse conceito, visto que ela perpassa os demais reconhecidos.

4º EIXO DO DESENVOLVIMENTO - O conceito de desenvolvimento sustentável é frequentemente associado e com crescimento econômico e industrial e engloba três eixos – social, econômico, ambiental. Em 2002, a Cúpula de Johanesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável estabeleceu a importância da cultura para o desenvolvimento. Porém, não passou à prática e a cultura não figurou como um dos temas centrais da conferência Rio + 20 em 2012.

O Artigo 2º da Convenção sobre Proteção e a Promoção das Diversidades Culturais, adotada pela UNESCO, e ratificado pelo Brasil, afirma em seus princípios orientadores que essa proteção "constitui uma condição essencial para um desenvolvimento sustentável em benefício das gerações presentes e futuras". Mesmo assim, a cultura ainda é percebida pelos gestores públicos de outras áreas da administração e pela sociedade em geral apenas enquanto conjunto de atividades artísticas.

Nesse contexto, o projeto de reflexão conjunta entre Brasil e União Europeia é uma contribuição para o reconhecimento da posição estratégica da cultura para o desenvolvimento sustentável, na percepção inclusive dos saberes e fazeres das comunidades tradicionais nas relações entre o ser humano e o meio ambiente, passando pelos três eixos que configuram o desenvolvimento sustentável e configurando um quarto eixo.

SERVIÇO:

Seminário Cultura x Desenvolvimento Sustentável

Brasília, 21 e 22 de maio de 2013

Local: auditório da Fundação Cultural Palmares, SQN 601 – SGAN, lote 1 – Edifício ATP

Horário: 9h

Aberto ao público: inscrições no local

CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES

Dia 21/05

9h – Mesa de Abertura, com participação da Ministra Marta Suplicy, e da Embaixadora da União Europeia no Brasil, Ana Paula Zacarias.

10h às 13h – Mesa 1, Cultura e Desenvolvimento Social

Palestrantes: Olu Akade (Reino Unido, integrou o Fórum em Diversidade Cultural do Sudeste Asiático, da Unesco, e foi membro do Conselho Internacional para o Fórum Mundial Cultural) e Sebastião Rocha (Tião Rocha, antropólogo, educador popular e folclorista, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, ONG criada em Minas Gerais)

Mediação: Márcia Rollemberg, Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.

14h30 às 17h30 – Mesa 2, Cultura e Desenvolvimento Econômico

Palestrantes: Kimmo Aulake (consultor especial do governo finlandês e vice-chefe de exportações culturais do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia) e Paulo Miguez (Brasil, doutor em Comunicação e Culturas Contemporâneas, professor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia e da Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da UFBA; foi secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura de 2003 a 2005)

Mediação: Cláudia Leitão, Secretária da Economia Criativa do Ministério da Cultura

Dia 22/05

9h às 12h – Mesa 3, sobre Cultura e Preservação do Meio Ambiente

Palestrantes: Olaf Gerlach Hansen (diretor da Culture / Futures e conselheiro-sênior do Instituto Cultural da Dinamarca) e Alfredo Wagner Berno de Almeida (antropólogo, professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura da Amazônia da Universidade Federal da Amazônia, Brasil)

Mediação: Jurema Machado, presidente do Instituo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculada ao Ministério da Cultura.

14h às 16h – Palestra: Pode-se considerar a cultura como o 4º pilar do desenvolvimento?

Jordi Pascual (professor da Universidade Aberta da Catalunha, Espanha e coordenador geral da Comissão de Cultura da Organização Internacional de Cidades e Governos Locais Unidos)

16h às 17h – Debate sobre conclusões do seminário e as implicações gerais para a União Européia e o Brasil avançarem na causa do fortalecimento da cultura na governança global.

Debatedores: Mrs. Ann Branch, Diretora Geral para Educação e Cultura da Comissão Européia e conselheiro Gustavo da Veiga Guimarães, chefe da Divisão de Acordos e Assuntos Multilaterais Culturais do Ministério das Relações Exteriores.

Mediador: José Hilton Santos Almeida, presidente da Fundação Cultural Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura.

(Texto: Alessandro Soares / Ascom MinC)

Retirado do site do MinC em 21/05/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/banner-1/-/asset_publisher/G5fqgiDe7rqz/content/desenvolvimento-sustentavel/10883?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fbanner-1%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_G5fqgiDe7rqz%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-1%26p_p_col_count%3D2

SEC prorroga inscrições para edital 2013 do Fundo Estadual de Cultura

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Da SECult-MG

A Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Superintendência de Fomento e Incentivo à Cultura, publicou no jornal Minas Gerais, Diário Oficial do Estado, do dia 18 de maio a prorrogação do prazo para inscrições no Edital 01/2013 do Fundo Estadual de Cultura (FEC), programa de fomento à atividade cultural do Governo de Minas Gerais, por meio de patrocínio e financiamento de projetos que encontram dificuldade em captar recursos no mercado, com prioridade para o interior de Minas Gerais. A nova data para o fim das inscrições é o dia 27 de maio.

Edital FEC 01 2013 - Arquivo PDF 298 KB

Formulário Currículo da Entidade Proponente - Arquivo Word 74 KB

Formulário Currículo da Equipe do Projeto - Arquivo Word 75 KB

Formulário Padrão - Arquivo Word 335 KB

Formulário Planilha Orçamentária - Arquivo Excel 79 KB

Formulário Protocolo - Arquivo Word 110 KB

Formulário de Projeto de Capacitação - Arquivo Word 70 KB

Observação  Complementar do EDITAL FEC01/2013 : Esclarecemos que o item 3.2 DOS DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS RELATIVOS AO PROPONENTE,  para Pessoa Jurídica de Direito Público, Pessoa Jurídica de Direito Privado Sem Fins Lucrativos e Pessoa Jurídica de Direito Privado Com Fins Lucrativos o pedido do documento “Formulário de Orientação Básica – FOBI ou documento equivalente, relativo ao processo de licenciamento ambiental da ação cultural ou do projeto objeto do financiamento” deve ser enviado somente no caso  de projetos que envolvam obras de restauração, intervenção ou construção de imóveis em área de  licenciamento ambiental.

Sobre o FEC – Criado em 2006 pela Lei Estadual 19.975, o Fundo Estadual de Cultura já disponibilizou mais de R$ 75 milhões para financiamentos e patrocínios de projetos artístico-culturais, aprovando 575 projetos de 227 cidades mineiras. Seu objetivo é o repasse de recursos para projetos culturais que tradicionalmente encontram dificuldade na captação de recursos no mercado.
Na modalidade “Liberação de Recursos Não Reembolsáveis”, o valor é repassado diretamente à entidade proponente do projeto, por meio de patrocínio, não havendo necessidade de devolvê-lo ao Poder Público. Podem inscrever projetos nessa modalidade entidades públicas ou entidades de direito privado sem fins lucrativos.
Já na modalidade “Financiamento Reembolsável”, a entidade receberá os recursos por meio de financiamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), sendo que o valor recebido deverá ser devolvido ao banco de acordo com as regras e juros estabelecidos pelo mesmo. Nessa modalidade, podem participar entidades de direito privado, com ou sem fins lucrativos.

Mais informações pelos telefones: 3915-2719/2720

Retirado do site da SECult MG em 20/05/13 do endereço:

http://www.cultura.mg.gov.br/component/content/article/176-noticias-da-secretaria/1491-sec-abre-inscricoes-para-edital-do-fundo-estadual-de-cultura-

Cultura Viva Comunitária é tema de congresso na Bolívia

Do MinC

O Ministério da Cultura participa do 1º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, de 17 a 22 de maio em La Paz, na Bolívia. Os objetivos do Congresso são fortalecer os Pontos de Cultura política e institucionalmente em todo o continente e consolidar a articulação latino-americana em torno da pauta da Cultura Viva Comunitária.

O encontro reúne mais de 600 representantes credenciados de todos os países do continente, a partir de redes e organizações comunitárias Cultura Viva (centros culturais, bibliotecas públicas, teatro comunitário, pintura mural coletiva, arte de rua, Circos, Música, Dança, Cultura digital, Software Livre, Hip-Hop, Rádio e TV comunidade canais, Pontos de Cultura, Escolas populares de arte e transformação social, etc.). Além deles, participam cinco Caravanas Culturais e grupos culturais da América Central, Brasil, Peru, Colômbia e Argentina.

A secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), Márcia Rollemberg, representa a Ministra Marta Suplicy no evento, que tem, também, representantes da Secretaria de Políticas Culturais (SPC), Agência Nacional de Cinema (Ancine) e Instituto do Patrimônio Histórico a Artístico (Iphan). A SCDC  apresenta no Congresso a experiência brasileira do Programa Cultura Viva, seus avanços, desafios e sua nova fase de implementação neste ano. A SCDC participou da Mesa de Abertura, do debate entre os gestores, e faz reuniões com os ministérios de Cultura da Bolívia, Peru e Argentina, além de estar presente em vários grupos temáticos do Congresso. Participam do Congresso pelo MinC Pedro Vasconcelos, diretor de Cidadania e Diversidade Cultural, Antonia Rangel, diretora de Cooperação, Articulação e Informação, e Juana Nunes Pereira, diretora de Educação e Comunicação para a Cultura.

Apoio do MinC

O MinC apóia institucionalmente o Congresso por meio do envio de uma delegação de dirigentes e do apoio por meio de edital de intercâmbio a uma delegação da sociedade civil, composta por 25 representantes da rede de Pontos de Cultura, definidas por critérios territoriais e setoriais - indígenas, quilombolas, povos tradicionais, cultura digital, juventude e bens registrados na composição. A Ministra Marta se empenhou junto a cada secretário Estadual e Municipal do País, para que a delegação brasileira fosse o mais ampla, plural e representativa possível.

Trata-se de um encontro no qual a troca de experiências entre os grupos e países, compartilhando perspectivas para fortalecer esses processos, será uma amostra da integração latino-americana na sua plenitude, social, cultural e política.

A programação conta também com mostras, atividades, festivais, debates, shows, oficinas e carros alegóricos, passeatas e manifestações em La Paz.

MÁRCIA ROLLEMBERG

Como será sua participação? O que vai apresentar e o que pretende conhecer neste Congresso? Pode dar exemplos e comentar, em ambos os casos?

Nossa participação é o apoio e mobilização da rede nacional de Pontos de Cultura e gestores para estarem presentes no evento, via edital de intercâmbio, e parcerias com entes públicos, secretarias de cultura e universidades.

Qual sua expectativa a respeito de um inédito Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária? O que espera que seja gerado a partir deste encontro continental?

Esperamos a ampliação da pauta de política de base comunitária da América Latina no âmbito da cultura e, ao mesmo tempo, o fortalecimento de movimentos culturais que integram a grande rede de diversidade cultural da latino-americana, fortalecendo o princípio de cooperação entre países e povos.

A realização de um congresso desse porte sinaliza que a expansão de Pontos de Cultura pela América Latina é um dado de transformação social ou ainda é cedo para essa conclusão?

Alguns países já estão adotando o programa. Temos cooperação com a Argentina, o Peru também avança na implementação do programa, e a Bolívia, que sedia o Congresso, que gerou intensa mobilização nos países. A proposta é ter uma pauta de política pública sobre o tema de forma a fortalecer a liderança brasileira nesse processo e sensibilizar o conjunto dos países para pauta da Cultura Viva e para os direitos culturais.

É possível falar em bem estar social a partir da integração das redes de Cultura Viva no continente?

É possível fortalecer a identidade da América Latina e, ao fazê-lo, a gente valoriza nossos modos de ser e de viver buscando um caminho diferenciado, um caminho de desenvolvimento que inclua as culturas tradicionais e o conjunto das sociedades e das comunidades do continente. 

SERVIÇO

1º CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE CULTURA VIVA COMUNITÁRIA

La Paz / Bolívia, de 17 a 22 de maio de 2013

Realização: Plataforma Puente Cultura Viva Comunitaria e Compa / Comunidad de Productores en Artes / Teatro Trono

Em conjunto com: Rede Latino-americana de Arte para a Transformação Social (RLATS), Cultura Latino-Americana e Coordenação Política (ALACP), a Rede Latino-Americana de Teatro Comunitário, Associação Latino-Americana para a Rádio Educação (Aler), rede de artistas, gestores e gestores culturais GuanaRED (Costa Rica), Box Brincalhão, Comunidade artes da rede guatemalteca, Movimento americano de Juventude e Comunidade Arts "Maraca" (Guatemala), Rede Brasileira de Artes Educadores (ABRA), Rede Latino-Americana de Gestores culturais, JUNTOS: Conexão Cultural americana, Pontos Nacionais cultura do Brasil, Red Afroambiental, Rede Nacional de Terreiros Povos, Telartes (Bolívia), Pessoas para a Cultura (Argentina), Plataforma Ponte Aburrá Valley, Barcelona Chair Medellin (Colômbia), Red ACAO Grio (Brasil)

Apoio: Governo da Bolívia, La Paz Country, HIVOS, SEGIB (Secretaria Geral Ibero-americana), prefeituras de Lima, Bogotá, Medellin e Cali, Governo do Brasil (MinC) e Governo da Costa Rica.

(Texto: Alessandro Soares / Ascom MinC)

Retirado em 20/05/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/banner-2/-/asset_publisher/0u320bDyUU6Y/content/9%C2%AA-bienal-do-mercosul/10883;jsessionid=119C84C1C91D333E9BE74890E01157F4.portal2?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fbanner-2%3Bjsessionid%3D119C84C1C91D333E9BE74890E01157F4.portal2%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_0u320bDyUU6Y%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-2%26p_p_col_count%3D2

Fórum de Políticas Culturais de Minas Gerais

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Do MinC

Quais os desafios enfrentados na construção da cidadania e como qualificar a atuação da sociedade civil nas conferências de cultura? Esses foram alguns dos pontos debatidos durante o primeiro encontro dos grupos de discussão do Fórum de Políticas Culturais de Minas Gerais realizado nesta quarta (15/05), na Funarte MG, em Belo Horizonte. Organizado como uma roda de conversa, o evento reuniu cerca de 50 pessoas, entre artistas, produtores e gestores públicos de cultura de diversos municípios de Minas. Até outubro deste ano, o Fórum pretende se reunir em grupos de discussão virtuais e presenciais para tratar, além do tema "Cidadania, Participação Popular e Controle Social", dos temas Formação, Financiamento e Fomento e Cultura e Comunicação.

Paralelamente a estas atividades, o Fórum irá também realizar audiências públicas em parceria com a Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Em junho, serão duas audiências: em Janaúba (Norte de Minas), no dia 17/06, e em Caratinga (Vale do Rio Doce), em 21/06.

"Estamos aqui dando o primeiro passo para que a participação da sociedade civil seja mais autônoma", pontuou a chefe da Representação Regional Minas Gerais, Cesária Macedo, em sua fala de abertura, lembrando o momento oportuno em que essas discussões ocorrem, quando a sociedade se prepara para as Conferências de Cultura, que terá como tema central do Sistema Nacional de Cultura. "O Fórum neste momento pode contribuir para que a nossa participação nestas instâncias se dê da forma mais qualificada possível".

Para dar início as reflexões sobre o tema proposto, foram convidados agentes culturais que apresentaram suas experiências pontuando os avanços e desafios vivenciados no exercício da cidadania, participação e controle social. Entre eles, Alexia Melo, da Associação Imagem Comunitária; Rafael Barros, do Conselho Municipal de Cultura de Belo Horizonte; o músico Makely ka, que faz parte do Conselho Estadual de Cultura de Minas Gerais; Jorge Dikambo, do projeto Borrachalioteca, que também é Ponto de Cultura, e o jornalista Israel do Vale.

Integrante do Ponto de Cultura Associação Imagem Comunitária, uma ONG sediada em Belo Horizonte que tem como objetivo  promover a cidadania por meio da democratização da comunicação, Alexia Melo falou da experiência recente de rearticulação do Fórum das Juventudes da Grande BH.

Em sua atuação, o Fórum optou por uma ação concreta, com a criação de uma agenda de enfrentamento da violência. Para articular todos os atores envolvidos, buscou-se desenvolver uma metodologia que de fato possibilitasse a participação efetiva das pessoas e das instituições. Assim, foi lançada campanha colaborativa, em que cada um dos atores dá sua contribuição no processo de criação de peças gráficas e demais instrumentos de mobilização. "A ideia é que as pessoas e as instituições se apropriem da campanha e a reconfigure a partir de seu lugar e de seus recursos". A Campanha foi lançada em 08 de maio em BH durante a quarta edição do "A Juventude oKupa a Cidade", que reuniu mais de 400 pessoas.

Para Alexia Melo, esta experiência do Fórum das Juventudes da Grande BH pode servir de exemplo para as articulações que se pretendem empreender na área da cultura. "As pessoas querem participar, sim, mas elas não querem uma forma apenas de participar, elas querem achar uma forma que seja possível dentro do seu cotidiano. Elas querem o norte, mas não querem a cartilha toda".

Ativistas da área de cultura no Estado, Rafael Barros e Makely Ka falaram de suas experiências de atuação em conselhos de cultura e apresentaram alguns pontos para as Conferências de Cultura nas esferas municipal, estadual e federal que vão acontecer até novembro.  "A Conferência tem que ser o espaço para se construir qual é o desejo da cidade", pontuou Rafael Barros ao traçar um histórico do processo de constituição do Conselho Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Para ele, um dos grandes desafios é investir na capacitação do conselheiro para potencializar sua ação dentro da instituição. "O conselheiro precisa entender o que é o Conselho. A falta de capacitação dificulta e enfraquece a atuação". Em sua avaliação, o conselho de Belo Horizonte passa por um processo de esvaziamento em virtude da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que restringiu o acesso ao financiamento a instituições ligadas aos conselheiros e seus parentes colaterais. Entre as suas preocupações está também o fato de os conselheiros atuarem sem nenhuma ajuda de custo, quando a atividade demanda tempo e dedicação.

Para falar da mobilização do setor cultural e de sua participação na consolidação de políticas públicas no país, em especial na área da música, o músico Makely Ka voltou às origens da indústria fonográfica no Brasil e mostrou como esta indústria, dona dos caros meios de produção e com influência sobre o principal meio de divulgação na época – o rádio -, submeteu os artistas a um modelo hegemônico que durou décadas. Nos anos 90, segundo ele, com o advento das novas tecnologias e desenvolvimento de softwares com código aberto, houve uma verdadeira mudança de paradigma. Nesse momento, a classe artística "tem a chave para um novo sentido de mobilização" e de acesso à política pública. Esse cenário é reforçado com a gestão que se inicia no Ministério da Cultura a partir de 2003, que institui um conceito antropológico de cultura.

Sobre sua atuação no Conselho Estadual de Cultura, Makely Ka apresentou como desafios o fato de os conselheiros serem escolhidos pelo governador por meio de lista tríplice e de não haver representação por macrorregiões do Estado. Sobre as Conferências, Makely Ka acredita que "o mais importante é a mobilização que vamos construir".

Retirado do site do MinC em 17/05/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/forum-de-politicas-culturais-de-minas-gerais/10973?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fnoticias-destaques%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_OiKX3xlR9iTn%26p_p_lifecycle%3D0%26

2º Seminário Agenda Criativa debate os setores de Música, Literatura, Artes Visuais e Audiovisual

Do BH Eventos

Evento terá um dia com palestras e debate aberto ao público

267748_417244378383866_1775662325_nA Fundação Municipal de Cultura (FMC), em parceria com a Belotur e com apoio Fundação Nacional de Artes (Funarte), promove de sexta a domingo o 2º Seminário do programa “Agenda Criativa: A Economia Criativa dos Setores Artísticos de Belo Horizonte”. Desta vez, o encontro debate os temas Música, Literatura, Artes Visuais e Audiovisual. O evento acontece na sede da Funarte (Rua Januária, 68, Floresta).

O primeiro dia do evento (sexta-feira, 17) será aberto ao público. A partir das 9h, haverá um debate sobre o Vale Cultura com representantes dos setores artísticos de Belo Horizonte. À tarde, a partir das 14h, acontecem duas palestras: o advogado Hildebrando de Paula Pontes aborda o tema “direitos autorais e novas mídias”; na sequência, o diretor de criação da Gaz Games, Ronaldo Gazel, trata do tema “avanços tecnológicos e comunicação digital nos setores artísticos”.

O Seminário tem como objetivo pactuar e sistematizar diretrizes e linhas de ação que promovam a sustentabilidade da cadeia produtiva dos setores criativos da cultura de Belo Horizonte. Isto significa, na prática, criar mecanismos para que o financiamento da cultura em Belo Horizonte não fique restrito à Lei e ao Fundo Municipal de Incentivo à Cultura.

Segundo Cássio Pinheiro, assessor especial da FMC e coordenador do programa Agenda Criativa, a intenção é criar mais uma forma de diálogo com a classe artística, para debater as necessidades, os problemas e as demandas do setor. “O Agenda Criativa visa a fazer um diagnóstico do setor produtivo da cultura em Belo Horizonte, não só para que a FMC possa alinhar melhor as suas ações e construir melhor as suas ferramentas de fomento, mas, sobretudo, para que possamos manter o diálogo com a classe artística e buscar novos parceiros para a construção de um instrumento de sustentabilidade.”

Grupos de trabalho

No sábado, dia 18, serão formados grupos de trabalhos, composto por convidados de instituições ligadas às áreas da música, literatura, artes visuais e audiovisual. Estes grupos irão discutir aspectos que envolvem a cadeia criativa do setor, tais como formação e qualificação; produção e criação, consumo, difusão e distribuição, investimentos e patrocínios, entre outros. No domingo, os pontos debatidos pelos grupos de trabalho serão anexados a um documento final, que será entregue à FMC.

Retirado do site BH Eventos em 17/05/13 do endereço:

http://www.bheventos.com.br/noticias/5519/2-Seminario-Agenda-Criativa-debate-os-setores-de-Musica-Literatura-Artes-Visuais-e-Audiovisual.html

Pluralidade no financiamento à criatividade

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Crowdfunding, capital semente, private equity, investimento-anjo. Se você é um produtor/empreendedor da cultura já deve ter ouvido falar em pelo menos um desses termos. Com a ampliação das discussões sobre Economia Criativa e o desejo de uma parcela do mercado cultural de se emancipar da dependência de editais, novos modelos de financiamento estão surgindo ou sendo adaptados.

fontesMais do que isso, novas e velhas dinâmicas estão procurando fazer sentido em um momento onde não só o desenvolvimento econômico, mas outros valores como a inclusão social, a proteção da biodiversidade e a diversidade cultural local estão sendo preconizados. É o que aponta Minom Pinho, sócia-diretora da Casa Redonda Cultural e da Casa Redonda Patrocínio Sustentável.

Junto com André Martinez, ela fundou a plataforma Sociocultural em Redee idealizou os conceitos de Sustentabilidade Sociocultural e Patrocínio Sustentável. Em excelenteartigo para este Cultura e Mercado, ela indaga: “os modelos convencionais de empreendedorismo de negócios atendem plenamente às propostas transformadoras da economia criativa?”.

Nos dias 22 e 23 de junho, Minom coordena o curso Fontes de Financiamento, no Cemec (clique aquipara saber sobre o curso). Nesta entrevista, ela fala sobre as mudanças no mercado, a ascensão da economia criativa, as novas ferramentas de financiamento para empreendimentos culturais e criativos e a evolução de métodos já conhecidos. Confira:

Raul Perez - Na descrição do curso, você fala sobre “mudanças recentes no mercado”. O que são essas mudanças e para onde elas apontam?

Minom Pinho - Criada pelo Decreto 7743, de 1º de junho de 2012, a Secretaria da Economia Criativa (SEC) do Ministério da Cultura é apenas um dos vetores que apontam para novos paradigmas de atuação cultural. Outros países e mais recentemente a União Européia têm adotado políticas de desenvolvimento voltadas aos novos paradigmas trazidos pela Economia Criativa. Ainda estamos todos tentando encontrar o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, inclusão social, proteção da biodiversidade e da diversidade cultural local, mas sem dúvida há uma nova ordem e precisamos compreender a complexidade e a multiplicidade de fontes de financiamento, modelos de negócios e formas de viabilizar empreendimentos culturais e criativos hoje. Outro fato que merece destaque é o crescimento de investidores interessados em aportar capital semente em novas ideias de empreendimento culturais e criativos que tenham potencial para se configurarem como boas oportunidades de negócios.

Se entendermos que tudo isto não descarta os modelos de patrocínio e investimento público nos setores culturais/criativos daí podemos entender como isto ficou complexo e também divertido. Para completar o quadro, vemos surgir ao mesmo tempo uma compreensão maior do que seriam os ativos criativos locais e os seus potenciais de diálogo com as experiências e os novos paradigmas trazidos pela economia verde e pela economia solidária. Novos modelos de cooperação e coempreendedorismo e novas moedas de troca ajudam a ampliar possibilidades de viabilizar os empreendimentos culturais e criativos. Diria que tudo aponta para multiplicidade e para a diversidade dos modelos de financiamento e cada iniciativa precisa encontrar a solução mais adequada aos seus sentidos e propósitos.

RP - Como essa nova configuração do mercado beneficia os empreendedores culturais e criativos?

MP - Entendo que a partir deste novo cenário o empreendedor pode e deve buscar a diversidade de fontes e modelos de financiamento e isto é extremamente benéfico ao surgimento, crescimento e consolidação de empreendimentos, iniciativas, negócios, projetos e programas culturais e criativos. Precisamos evitar sair às cegas. Ou seja, os empreendedores precisam compreender antes qual ou quais modelos de financiamento atendem plenamente aos sentidos e propósitos do seu empreendimento garantindo que os acordos firmados não desvirtuem os objetivos fundamentais da iniciativa.

RP - No curso, você irá falar sobre financiamento colaborativo e modalidades que supõem um engajamento maior dos colaboradores/investidores. Como eles mudam a dinâmica da relação investidor/investido?

MP - A proposta de introduzir modelos colaborativos como estratégia de financiamento de iniciativas culturais e criativas no curso, parte de uma motivação específica: entendo que precisamos ampliar as noções e os conceitos de recurso e de riqueza. Quando falamos em recursos, o senso comum lê imediatamente “dinheiro”. Quando falamos de riqueza, o senso comum também entende automaticamente “riqueza material” e “dinheiro”. Os modelos de financiamento colaborativo e o surgimento de novas moedas solidárias e criativas exigem uma mudança paradigmática e a ampliação dos conceitos “riqueza” e “recursos”. Trata-se de um novo modo de olhar e ver o mundo e os seus potenciais. Trata-se de um novo modo de compreender o que de fato precisamos para viabilizar um empreendimento, um projeto ou um negócio e quais as moedas disponíveis entre os parceiros envolvidos. Saber fazer algo é um ativo. Ter um espaço cultural é um ativo. Ter uma rede de contatos é um ativo. Ao compartilhar estes ativos e tentar encontrar novos modelos de troca de conhecimentos, produtos, serviços em rede, fazemos emergir novas possibilidades. O livro The Mesh: Why the Future of Business Is Sharing, da autora Lisa Gansky, é um bom começo para entendermos cooperação, colaboração e compartilhamento neste novo paradigma.

RP - Existem tipos de projetos que são mais propícios a serem bem-sucedidos nesse tipo de financiamento?

MP - Com a diversidade de modelos de financiamento disponíveis, penso que os empreendedores precisam entender quem são de fato os  parceiros com os quais pretendem dialogar para viabilizar os seus empreendimentos, negócios, iniciativas, projetos. Não há um modelo. Há vários e híbridos.  Entendo como propício, o modelo de financiamento que garante convergência de sentidos e propósitos entre as pessoas e organizações envolvidas no processo: investidores, criadores, empreendedores, públicos, clientes, colaboradores e assim por diante. Compreensão das motivações dos parceiros envolvidos e alinhamento de propósitos é fundamental na escolha do modelo de financiamento ideal em cada caso.

RP - Modalidades como o Investimento-Anjo e o Private Equity sempre fizeram parte do financiamento de empreendimentos culturais e criativos ou estão sendo assimiladas agora? O que elas agregam a esses tipos de empreendimentos?

MP - De algum modo, isto não é novo… Podemos elencar historicamente um conjunto de empreendimentos culturais e criativos no Brasil e no mundo que contam com investidores de mercado, sócios financiadores com expectativas de retorno econômico-financeiro como contrapartida do seu investimento. O que há de novo é o crescimento de investidores de mercado interessados em novos negócios criativos e principalmente em aportar recursos em startups (negócios em estágio inicial). Outra novidade é que hoje existem mais investidores dispostos a aportar recursos, não exclusivamente financeiros, em negócios menores e este fato funciona como um ativador natural de pequenos e médios empreendimentos.

“Nova” é a compreensão de que os empreendimentos culturais e criativos de um país, de uma cidade, de um território ou de uma comunidade podem representar oportunidades reais e concretas de geração de riquezas. No modelo investimento-anjo, os investidores aportam recursos aos novos negócios, mas também oferecem apoio no desenvolvimento do negócio dedicando tempo, know-how, experiência de mercado e de gestão, redes de contatos, etc. Ou seja, são chamados de anjos pois embora estejam sim interessados no retorno financeiro do investimento, se envolvem com o processo de viabilização e consolidação dos novos negócios no mercado.

Retirado do Cultura e Mercado em 16/05/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/entrevistas/pluralidade-no-financiamento-a-criatividade/

Programação temática do Cineclube: "Luta Antimanicomial e Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes"

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Enviado por Papo Café

A Livraria e Cafeteria Papo Café convida para a programação temática do Cineclube: "Luta Antimanicomial e Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes".

Sessões

Dias: 15 a 17 de maio

Local: Livraria Papo Café

Endereço: Rua Doutor Manoel Esteves, 150, Lj. 05.

Valor: A entrada é FRANCA

Obs.: A lotação máxima por sessão é de 60 pessoas.

Dia

Hora

Programação

15/05

15:15

Filme: O Solista

Steve Lopez (Robert Downey Jr.) é um colunista famoso do Los Angeles Times e vive em busca de uma história incomum. Em um dia como outro qualquer, não exatamente em sua busca por uma matéria, ele ouve na rua uma música e descobre Nathaniel, tocando muito bem num violino de apenas duas cordas. Seu nome é Nathaniel Ayers (Jamie Foxx), um dos milhares de sem teto das ruas de Los Angeles, ex-músico que sofre de esquizofrenia, sonha em tocar num grande concerto e é um eterno apaixonado por Beethoven. Lopez prepara uma coluna sobre sua descoberta e recebe de um leitor, como doação, um instrumento para o músico. É o começo de uma amizade que poderá mudar para sempre suas vidas.

Debatedora: Camila de Lima

Possui mestrado em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). Atualmente, faz parte do corpo docente das Faculdades Unificadas Doctum, campus de Teófilo Otoni - MG, sendo a professora responsável pelas disciplinas relacionadas à Análise Experimental do Comportamento. Além disso, desde outubro de 2009, coordena o curso de Psicologia desta instituição

16/05

17:00

Documentário: Relembrando Baságlia e revisitando Trieste: 30 anos da Lei 180

Debatedora: Alide Altivo Gomes

Psicóloga pela UFSJ, Especialista em Gestão Social pelas Faculdades Doctum. Psicodramatista pelo IMPSI, Instituto Mineiro de Psicodrama. Atualmente é responsável pelo serviço de Psicologia da UFVJM, no campus do Mucuri.

16/05

15:15

Filme: Alice no País das Maravilhas

Alice (Mia Wasikowska) é uma jovem de 17 anos que passa a seguir um coelho branco apressado, que sempre olha no relógio. Ela entra em um buraco que a leva ao País das Maravilhas, um local onde esteve há dez anos apesar de nada se lembrar dele. Lá ela é recepcionada pelo Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e passa a lidar com seres fantásticos e mágicos, além da ira da poderosa Rainha de Copas (Helena Bonham Carter).

Debatedora: Kely Prata

Pós- Graduação Stricto Sensu em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo – UFES (2009). Graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (1997). Experiência profissional em Atendimento psicológico clínico e psicopedagógico a crianças, adolescentes e adultos; em Consultoria em Gestão de Recursos Humanos (recrutamento, seleção e treinamento de pessoas); em Docência para o Ensino Médio, Educação Profissional e Ensino Superior nas seguintes áreas de conhecimento Psicologia, Filosofia, Epistemologia, Ética e Gestão de Pessoas. Autora de artigos em publicações científicas. Participação em pesquisas de âmbito nacional na área de saúde.

Viva a Cantoria, amanhã!