sexta-feira, 30 de março de 2012

Pesquisa sobre Leitura no Brasil

Retirado do site do MinC em 30/03/12 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2012/03/29/pesquisa-sobre-leitura-no-brasil/

Resultados foram apresentados na Câmara dos Deputados, com a presença da ministra da Cultura

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, compareceu na manhã desta quinta-feira, 29, na audiência pública realizada na Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados, onde foram apresentados os resultados da terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

“Temos trabalhado muito, lançado ações, afinamos a parceria com o Ministério da Educação (MEC), temos avançado na formulação de políticas de fomento à leitura, pois essa é a condição fundamental para a formação de cidadãos leitores”, ressaltou a ministra.

Encomendada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) ao Ibope Inteligência, a 3ª edição da pesquisa tem o objetivo central de “medir intensidade, forma, motivação e condições de leitura da população brasileira”. Segundo a ministra da Cultura, os dados da pesquisa vão contribuir para a formulação de políticas públicas destinadas ao fomento da leitura no país. Ela destacou ações de fortalecimento, a criação de bibliotecas em todos os municípios brasileiros e os programas como agentes de leitura. Também ressaltou a importância da parceria com o Ministério da Educação para que o número de brasileiros leitores continue a aumentar.

“Há uma semana inauguramos uma biblioteca no município de Afuá, na Ilha do Marajó, e assim zeramos o número de cidades paraenses que não possuíam bibliotecas. No Brasil, restam 33 municípios sem bibliotecas, mas a nossa pretensão é zerar esse déficit em breve”, disse a ministra.

Leitura no Brasil

A pesquisa aponta que o brasileiro lê em média quatro livros por ano, sendo que, destes, lê integralmente apenas 2,1 livros. O estudo revelou, também, que o país é composto por 50% de leitores (cerca de 88,2 milhões de pessoas) e outros 50% de não leitores. Entre os que leem, as mulheres são a maioria, representam 53% do total do público leitor no país. Já os que não têm o hábito de ler encontram-se na base da pirâmide social: são pessoas de idade mais avançada e tem como principais entraves à leitura a alfabetização precária, o desinteresse e a falta de tempo.

Um dos pontos positivos da pesquisa é o fato do aumento do número de pessoas que declararam a leitura como uma atividade prazerosa. Entre os autores mais lidos em nosso país está Monteiro Lobato seguido por Machado de Assis. A pesquisa revelou também que biblioteca está associada a estudo e não a um lugar de lazer. Entre as tendências reveladas pelo estudo está a melhoria do acervo para que o público das bibliotecas possa aumentar.

Capacitação

O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, afirmou que ações visam mudar os dados considerados negativos  e citou como exemplo o investimento de R$ 40 milhões para renovar o acervo de 2,7 mil bibliotecas em todo o país, o investimento em feiras e encontros literários em municípios de todos os estados. “Além dessas ações, também é preciso olhar para os interlocutores, nesse sentido trabalhamos na formação e capacitação de dez mil agentes de leitura. Também já estão cadastrados doze mil títulos que integrarão o programa Livro Popular e ainda este ano estarão disponíveis à população por um preço de R$ 10”, disse Amorim.

A deputada Fátima Bezerra (PT/RN), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Livro e da Leitura e autora do requerimento para a apresentação da pesquisa na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados,  falou da importância da parceria entre o poder legislativo e executivo para que a realidade da leitura no país possa mudar efetivamente.

“Esse estudo é muito rico e certamente apontará caminhos para a formulação de políticas públicas efetivas para a área do livro e da leitura e devemos ser parceiros, todos, cultura, educação, legislativo e executivo na construção de um tão sonhado país de leitores”, enfatizou a deputada.

A parlamentar também saudou o trabalho da ministra Ana de Hollanda à frente da pasta da Cultura e seu desempenho no diálogo com os congressistas.

Áudio da deputada Fátima Bezerra

Leia, também, a matéria:

Retratos da Leitura no Brasil – Ministra da Cultura participa da cerimônia de divulgação da 3ª edição da pesquisa

Conheça a 3ª edição da pesquisa

(Texto: Marcos Agostinho, Ascom/MinC)

(Fotos: Roberto Nociti, Ascom/MinC)

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Inquietudine | Abertura: 02/04

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Grupo In-Cena de Teatro em Curitiba

O Grupo In-Cena de Teatro estreia hoje no FRINGE, na capital Paranaense e fica em cartaz com o espetáculo Em algum lugar até domingo.
O grupo capitaneado por André Luiz Dias e Cida Correia, vem mostrando cada vez mais sua determinação, capacidade e qualidade, demonstrados nas expressivas premiações em festivais Minas afora.
O In-Cena mais uma vez representará Teófilo Otoni e o Mucuri, agora em Curitiba, que durante o FRINGE torna-se a capital do teatro.
É a mostra de que, mesmo com os beiços repuxados e a contragosto, a arte e a cultura de nossa cidade vão caminhando, e evidentemente é um trabalho duro, árduo, mas que com boas parcerias, como no caso do In-Cena, demonstra a nossa vitalidade.
Que Krenhouh Jissa Kijú - (Chefe Grande) lhes conceda bastante MERDA!
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quinta-feira, 29 de março de 2012

Lei Sarney, Lei Rouanet, Procultura: história, avanços e polêmicas

Retirado do Cultura e Mercado em 29/03/12 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/procultura/lei-sarney-lei-rouanet-procultura-historia-avancos-e-polemicas/

Por Mônica Herculano

A primeira lei federal de incentivo fiscal para atividades artísticas no Brasil foi instituída em 1986: a Lei Sarney (Lei nº 7.505, de 2 de julho de 1986), criada um ano após a separação dos ministérios da Cultura e da Educação.

Com ela, as empresas podiam financiar, por meio de renúncia fiscal, ações realizadas por produtores artísticos, que deviam ter registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas de Natureza Cultural (CNPC), gerido pelo MinC e a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Após recebido o aporte de recursos, a título de doação ou patrocínio, a entidade cultural deveria prestar contas à Receita Federal e ao Ministério da Cultura sobre a sua aplicação.

Para Paulo Pélico, sócio-diretor da Casa Jabuticaba de Cinema e Teatro, um dos maiores defeitos da Lei Sarney é que ela tinha a prestação de contas como uma peça de pós-produção, não de pré-produção, como é hoje. “Hoje você apresenta o projeto e ele é julgado à luz do orçamento. Isso evita dezenas, centenas, talvez milhares de projetos ilegítimos”, afirma.

Outra característica negativa, segundo ele, é que a lei não obrigava que o produto cultural tivesse circulação pública. “A pessoa podia montar uma exposição sobre Picasso na sua casa e chamar os amigos, dentro da lei. Eu não sei como isso pode passar pelos legisladores, mas passou. Nem todo mundo usou desse jeito, mas em alguma medida foi usado. Nesse sentido, a lei demorou para ser cancelada.”

Segundo Pélico, o advento das leis de incentivo foi muito bom, na medida em que inagurou esse tipo de ferramenta para a cultura. “Até então incentivo fiscal valia para agrobusiness, indústria têxtil, eletroeletrônicos, área de serviços, mas para a cultura não. A lei inaugurou uma nova fase. Basta vermos a indústria cultural brasileira hoje e a de 20 anos atrás. A diferença é flagrante”, afirma.

Lei Roaunet - Em 1990, o governo Collor suspendeu os benefícios da Lei Sarney, assim como outros incentivos fiscais em vigor. O mecanismo de apoio às atividades culturais foi restabelecido com a Lei Rouanet (Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991), que instituiu o Programa Nacional de Apoio a Cultura (Pronac).

Com a Lei Rouanet surgiram três formas possíveis de incentivo à cultura no país: o Fundo Nacional de Cultura (FNC), os Fundos de Investimento Cultural e Artístico (Ficart) e o Incentivo a Projetos Culturais por meio de renúncia fiscal (Mecenato). Saiu o produtor como elemento central e em seu lugar entrou o projeto cultural, que passou a ser analisado pelo Ministério da Cultura como passível de captação de recursos aptos à renúncia fiscal.

Em documento de análise publicado em 2009, Paulo Pélico explica: “Este tripé visava dar sustentação a uma política inédita no país, capaz de, no curto prazo, financiar a produção artística, cobrindo o rico espectro da cultura brasileira e, a médio e longo prazos, estruturar e consolidar as bases de uma indústria cultural, tornando-a minimamente competitiva frente à avassaladora indústria estrangeira. Assim, Ficart e Mecenato foram destinados a necessidades que estão mais próximas da indústria cultural. O FNC foi pensado como o elemento de contraponto, com uma clara função equalizadora do sistema.”

“A Lei Rouanet veio sem nenhum dos problemas da Lei Sarney, além de imensas sutilizas que favoreceram o seu lado democrático. A má notícia é que, com o decorrer do tempo, ela foi recebendo inúmeras medidas provisórias que, em nome da melhoria, acabaram piorando a lei no seu aspecto democrático. Não houve aperfeiçoamento, porque os legisladores acabaram sendo movidos por pressões de determinados grupos organizados, e não da coletividade”, afirma Pélico.

O FNC, de acordo com o documento assinado por ele, teve seus recursos destinados majoritariamente a finalidades que nada fizeram pela cultura regional, nem atenderam o fazer artístico de caráter não-comercial. “Para seguir o planejamento original da lei, editais do FNC deveriam ser rotineiros, irrigando com recursos as manifestações culturais sem apelo de marketing e suprindo as necessidades das regiões mais remotas do país. Em todos estes anos, os editais se revelaram esporádicos e de alcance restrito”, completa.

O diretor superintendente do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, também coloca o fortalecimento do FNC como um ponto que deveria ser melhor tratado. “O problema é que ao longo desses anos, o FNC foi sendo esmagado pelas áreas econômica e de planejamento do governo, e o seu papel de equalizador do sistema continuou se fragilizando, enquanto o Mecenato foi crescendo. Creditar ao Mecenato a fragilidade do orçamento direto do MinC e do FNC é um equívoco”, afirma.

Ele acredita que o maior avanço que a Lei Rouanet trouxe foi a profissionalização do setor, por ter induzido à constituição de um mercado profissional para atuar por meio do incentivo fiscal. “Outro avanço importante foi a previsibilidade, em virtude de você ter um marco legal regulatório muito claro a respeito da utilização da lei. Você pode fazer projetos de médio e longo prazo e não ficar refém de ter ou não orçamento da União”, diz

Procultura - Para Paulo Pélico, a cultura não está nas mãos do mercado, como alguns produtores costumam dizer. “Lei de incentivo pressupõe a participação da iniciativa privada, sim, usando dinheiro público. As pessoas têm resistência a isso porque o incentivo deve ser um instrumento, mas não o único. E nenhum incentivo fiscal funciona sem um Fundo de Cultura, nacional, estadual ou municipal, para atuar como elemento equalizador, que ajude a equilibrar o sistema.”

A questão é justamente ajustar os termos para que as necessidades de todos – ou da maioria – sejam atendidas. E foi com esse objetivo que surgiu o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura – Procultura (Projeto de Lei nº 6722/2010), que altera a Lei Rouanet.

“Eu acho que a Lei Rouanet foi criada num outro contexto artístico, cultural, politico, economico. Por exemplo, não existia internet. A inflação estava absolutamente presente no nosso mundo. Ela é de um outro Brasil. Nesse sentido, é preciso que ela seja revista”, afirma Saron, que se diz a favor de um marco legal regulatório com mudanças onde empresas de pequeno e médio porte, além da produção independente, sejam incluídos.

Para ele, as grandes empresas, em virtude da concentração econômica, estão presentes mais na região Sudeste e têm a tendência por optar também por grandes projetos. “Ter tratamentos diferentes para proponentes diferentes é muito harmônico para que a gente continue melhorando o sistema de incentivo fiscal no país. Os 100% não podem acabar, mas nem todos os projetos precisam de 100%. Significa que, na medida que o empresário se proponha a ser parceiro de um projeto, ele tenha que colocar parte dos recursos diretos da sua empresa também. Por exemplo, um projeto para formação de gestores ou de plateia, para mim é mais que louvável que tenha 100% de abatimento fiscal. Um projeto que está mais próximo do business, de uma atividade que mais facilmente conquista patrocínio, é natural que esteja distante dos 100%, e que o empresário aplique dinheiro não só incentivado nesse processo”, afirma Saron.

Para Paulo Pélico, o Procultura vem se inserindo em uma velha tradição de fazer “puxadinhos” e melhorar o parágrafo, mas piorar a lei como um todo. “O Procultura já teve versões muito boas, mas tem sido mexido frequentemente, sem critério democrático, e no conjunto desequilibrou. Hoje, o texto do deputado Pedro Eugênio, se for aprovado, será um retrocesso de quase 15 anos.”

Seminário - Para discutir esses e outros aspectos da reforma de Lei Roaunet, o Cemec e o Cultura e Mercado promovem, no dia 19 de maio, em São Paulo, o maior seminário sobre o tema já realizado no país.

O evento reunirá os principais agentes interessados no avanço do financiamento à cultura do Brasil em um dia inteiro de palestras, depoimentos e análises do texto do Procultura.

As inscrições já estão abertas. Clique aqui e garanta sua vaga.

Mônica Herculano http://www.uiadiario.com.br

Mônica Herculano é jornalista e produtora cultural. Diretora de redação de Cultura e Mercado e editora do www.uiadiario.com.br. Twitter: @nicklanis Para mais artigos deste autor clique aqui

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‘New York Times’ destaca o Sesc como ‘grupo cultural único’

Retirado do site d’O Globo em 29/03/12 do endereço:

http://oglobo.globo.com/cultura/new-york-times-destaca-sesc-como-grupo-cultural-unico-4426742

Jornal americano faz perfil da organização sem fins lucrativos, que cresce 10% ao ano

De O GLOBO


Fachada do Sesc Pompéia, em Sâo Paulo
Foto: Reprodução / New York Times

RIO - O jornal americano “New York Times” destaca, em sua edição desta terça-feira, o trabalho do Sesc como um “grupo cultural único”, com um orçamento crescente para a promoção da cultura no Brasil e, agora, também fora do país. O artigo, assinado pelo jornalista Larry Rother, diz que, enquanto organizações do mundo todo estão apertando seus orçamentos e reduzindo produções, Danilo Santos de Miranda, diretor-geral do Sesc, enfrenta um desafio diferente: o de encontrar bons projetos para investir seu orçamento, que chega a US$ 600 milhões por ano e que cresce anualmente cerca de 10% ou mais.

“Nosso princípio-guia fundamental é usar a cultura como ferramenta para a educação e a transformação, para melhorar a vida das pessoas. Graças a Deus, estamos numa posição em que podemos cumprir essa missão. Na última década, nosso orçamento tem dobrado a cada seis anos, não é incrível?”, declarou Miranda ao jornal.

Segundo o “NYT”, o Serviço Social de Comércio tem um modelo de financiamento considerado “único no mundo”: uma entidade privada, sem fins lucrativos, endossada pela Constituição Nacional, cujo orçamento é proveniente de uma taxa de 1,5% sobre a folha de pagamento de empresas brasileiras. “Como a força de trabalho no país de quase 200 milhões de habitantes tem se expandido, o mesmo acontece com o orçamento da organização”, destaca. “Atualmente, praticamente não existe uma área das artes no Brasil em que o Sesc não atue. A organização tem sua própria editora, assim como um selo musical e um canal de TV por assinatura, e ainda admnistra galerias de arte, teatro, cinemas e salas de espetáculo, frequentamente parte de complexos maiores que incluem restaurantes e aparelhos esportivos”.

Para a publicação, o investimento do Sesc em cultura é um reflexo do desenvolvimento econômico brasileiro nos últimos anos, que colocou o país como a sexta maior economia mundial. Agora, a organização está fazendo um esforço para expandir suas atividades e aumentar o reconhecimento cultural do Brasil internacionalmente, reforçando seus laços com artistas de fora do país. O Sesc “patrocina um festival de jazz em conjunto com a gravadora de Nova York Nublu; assinou uma ‘parceria institucional’ com a companhia de língua espanhola TeatroStageFest; e apresentou trabalhos de artistas como o músico David Byrne, o percussionista Bobby Sanabria e o diretor teatral Robert Wilson”.

“O modelo do Sesc é um exemplo maravilhoso que deveríamos ter por todo o mundo”, disse ao “NYT” Nan van Houte, diretora do Netherlands Theater Institute e ex-presidente do International Network for Contemporary Performing Arts. “Integrar tudo, ter teatros, piscina, livraria, restaurante, oficinas e museus, tudo junto, é tão engenhoso. Isso faz a cultura ser parte do dia-a-dia, não algo à parte”.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/new-york-times-destaca-sesc-como-grupo-cultural-unico-4426742#ixzz1qVIlANoP

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Memória gráfica da cachaça

Enviado por Daniella Salles.

Retirado do site da Revista de História da Biblioteca Nacional em 29/03/12 do endereço:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/memoria-grafica-da-cachaca

Rótulos são caso à parte no design brasileiro

Por Egeu Laus

O termo cachaça aplicado à cana aparece pela primeira vez em um texto do padre jesuíta André João Antonil (1649-1716) em seu livro “Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e Minas”, publicado em 1711. Ele se refere à palavra como a “espuma grossa que se tira das caldeiras na primeira fervura do caldo de cana durante o processo de evaporação”. Cem anos depois do livro de Antonil, a cachaça de alambique já frequentava as mesas imperiais brasileiras sendo citada pelo botânico e viajante Auguste de Saint-Hilaire em 1819: “A cachaça é a aguardente do país”. No entanto o engarrafamento e a rotulagem da cachaça no Brasil é coisa relativamente recente. Saliente-se que é somente na segunda metade do século XIX que a impressão sobre papel passa a acontecer de maneira efetiva com a liberação da produção gráfica no Brasil após a chegada da família real portuguesa em 1808, criando a Imprensa Régia, três séculos e meio depois da invenção dos tipos móveis por Gutemberg. Em alguns países da América Latina a impressão já se realizava desde o início de 1700, portanto 100 anos antes, destacando-se inclusive alguns periódicos como por exemplo os jornais "Gaceta da Guatemala" e "Primicias de la cultura de Quito" (Equador) fundados em 1729 e a "Gaceta de Lima", no Peru, fundada em 1743.

Embora a cana-de-açúcar tivesse se desenvolvido no regime de “plantation” em grandes latifúndios, a produção da cachaça engarrafada sempre se caracterizou por pequenos produtores, em seus alambiques, para consumo localizado. Essa característica se manteve do século XIX até hoje, ocasionando um fenômeno sui generis no mundo: a quantidade fenomenal de marcas de cachaça espalhadas por todo o território brasileiro. Estima-se que existam mais de 30 mil produtores atualmente.

A produção gráfica dos rótulos é um caso à parte na história do design brasileiro: não são poucos os rótulos desenhados pelo próprio “alambiqueiro”, produtor da cachaça. O rótulo da cachaça se manteve com características artesanais até o final do século 20 constituindo-se num dos grandes exemplos do que conhecemos como design vernacular. (Alguns exemplares de rótulos de cachaça dos anos 1940 e uma grande produção dos anos de 1950 e 1960 podem ser vistos na exposição “Caprichosamente engarrafado: rótulos de cachaça”, durante todo o mês de fevereiro, março e até 10 de abril, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo).

Uma outra característica do rótulo, esta compartilhada com uma vasta produção de efêmeros e embalagens no Brasil, é a impressão litográfica, mantida em grande atividade até pelo menos os anos 50/60 do século XX. A litografia, inventada por Aloys Senefelder em 1796 na Alemanha chega ao Brasil em 1825 com a contratação pelo imperador de um litógrafo para o Real Arquivo Militar.

Utilizando pedras calcárias como matriz de impressão a técnica conhecida como litografia (no método básico desenha-se na pedra com um lápis gorduroso que atrai a tinta) se espalhou pela corte com grande rapidez e em pouco tempo mais de 250 litógrafos trabalhavam somente no Rio de Janeiro produzindo encomendas variadas, primeiro em preto e branco e depois em cores, como estampas artísticas, mapas, cartões, marcas comerciais, cartazes, e, a partir de 1870, as revistas ilustradas extremamente populares e com amplas tiragens.

Na virada para o século XX praticamente toda a produção de embalagens comerciais brasileiras de papel utilizava a técnica litográfica. A impressão dos rótulos de cachaça, em tiragens altas para baratear o preço unitário de custo, se expandiu rapidamente em casas impressoras litográficas por todo o Brasil criando um estilo iconográfico inconfundível, principalmente a partir do anos 1930.

Embora os temas retratados, nomes e marcas das cachaças sejam variadíssimos as casas litográficas trabalhando com poucas tintas, dentre as quais se destacavam basicamente o preto, o amarelo, o vermelho e um azul claro, acabaram construindo, talvez por necessidade de uma impressão rápida com poucas sobreposições policrômicas, um panorama visual em que quase sempre se sobressai o amarelo como fundo geral – construindo com o azul o verde das paisagens e da cana de açúcar – e o vermelho e o preto na construção tipográfica. O que impressiona é que uma gama tão limitada de cores tenha proporcionado um universo tão diverso de imagens.

Os rótulos da nossa cachaça tem sido objeto de alguma pesquisa nos últimos anos, por conta do vivo interesse despertado pelos pesquisadores e historiadores da nova história material focada nos temas da vida cotidiana dentro do contexto das histórias da vida privada. Pelo menos sete grandes temas tem sido abordados na construção dos rótulos de cachaça e sua marcas: Acontecimentos e Personagens – não há grande acontecimento ou personagem que não tenha sido homenageado em alguma marca de cachaça (Fundação de Brasília, Copa do Mundo, Segunda Guerra, Bomba Atômica, Pelé, Pixinguinha, etc.); Indígenas – as marcas retratando índios e índias (as vezes com nomes completamente disparatados como “Bossa Nova”) copiados de velhas gravuras e do acervo iconográfico acadêmico, é muito grande; Humor e Autorreferência – a facilidade com que a cachaça brinca com suas próprias mazelas (“Calçada lisa” é o nome de uma delas, “Capote de pobre” outra) ao lado de nomes jocosos de duplo sentido para dezenas de marcas (Perseguida, Esquecida, Juízo, Providência) faz da cachaça um caso praticamente único no marketing internacional. Tipografia – os rótulo all type são uma presença bastante forte em todo o Brasil com uma variedade de tipos pequena com o uso do antigo normógrafo e linotipos porém com arranjos tipográficos bem diversificados com lettering às vezes desenhados à mão; Bichos e Aves – a fauna brasileira, até mesmo a mitológica, faz parte ativa da iconografia dos rótulos. São dezenas de nomes, alguns regionais, construindo um amplo painel da nossa fauna rural, integrante da vida cotidiana; Paisagens e Lugares –cenas do mundo rural na colheita e transporte da cana se misturam com homenagens às cidades, às vezes descrevendo graficamente o local dos alambiques e os destaques geográficos; Pin-Ups – A cachaça associada à conotações eróticas é uma constante, como de resto em todo o universo as bebids alcoólicas. As pin-ups do cinema e das revistas são uma referência permanente para as marcas e seus rótulos.

A preservação dos rótulos de cachaça e a própria historia da bebida são mantidos por meio da dedicação dos colecionadores particulares através dos anos. Espalhados pelo Brasil mantêm coleções diversas com quantidades variadas de exemplares indo de centenas a perto de 10 mil rótulos.  De forma mais organizada temos a Fundação Joaquim Nabuco, Fundaj em Recife, PE, que abriga no seu Centro de Estudos da História Brasileira a coleção de rótulos que era mantida pelo IAA – Instituto do Açúcar e do Álcool, no Rio de Janeiro. A Fundaj comprou também a Coleção de Almirante composta por 4 mil rótulos. Esta coleção teve seu início, ainda na década de 1950 pelo pesquisador, cantor, compositor e radialista Almirante (Henrique Foréis Domingues) que, em seu programa de rádio convidava os ouvintes de todo o Brasil a lhe enviar rótulos. O acervo da Fundaj é valiosíssimo por conter grande variedade de rótulos produzidos por impressão litográfica nos anos de 1940, 50 e 60.

Um universo para a pesquisa da nossa cultura material

O design contemporâneo tem aprofundado seu olhar para a nossa cultura material popular como reação à uniformidade das estéticas ocidentais transnacionais.

A estética dos rótulos de cachaça trazem em seu bojo todas as influências, ao mesmo tempo: indo do barroco e o rococó para a pop art e o psicodelismo. São um excelente material para os estudos de experimentação da colagem moderna, iniciada nas artes plásticas nas primeiras décadas do século XX e reforçada na música popular dos anos 60, e que, com o advento das ferramentas digitais tem proporcionado uma extrema facilidade nas apropriações, citações, mashups, misturas e inclusões resgatando e utilizando formas e imagens populares, e construindo uma iconografia pós-moderna de grande impacto visual no design contemporâneo. Recentemente a cachaça Maria Izabel produzida em Paraty teve seu rótulo desenhado pelo ilustrador norteamericano Jeff Fisher utilizando elementos vernaculares brasileiros.

Se o vernacular é aquilo que se construía “à margem” do conhecimento erudito os rótulos de cachaça contribuem, no mundo globalizado, para um olhar ao local e ao regional, compreendendo que o erudito e o popular são faces da mesma cultura.

Saiba mais:

Exposição:

Caprichosamente engarrafado: rótulos de cachaça

Data de abertura - 9 de fevereiro às 20 horas

Período - 10 de fevereiro a 10 de abril

Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima 201 (entrada pela Rua Coropes)

Pinheiros – Tel 11  2245 1900

Terça a domingo, das 11 às 20 horas – Entrada franca

Para pesquisa:

http://rotulosdecachaca.blogspot.com/

(do blogueiro Roberto Carlos Morais Santiago)

http://www.cnn.folderpark.net/

(organizado por um holandês Rob Timmers)

Para visitar:

O Museu da Cachaça de Pernambuco em Lagoa do Carro (próxima a Carpina, 60 km de Recife, PE)

http://www.museudacachaca.com.br

Museu da Cachaca do Ceará (mantido pela Ypióca)

O Museu da Cachaça funciona das 8:30 às 17:00, de terça a domingo em Maranguape a 25 km de Fortaleza. A entrada custa 8 reais, a inteira, e 4 reais, a meia. Para maiores informações ligue para (85) 3216.8888 (Escritório Central). www.ypioca.com.br/port/museu/museu.htm

O acervo do Centro de Estudos da História Brasileira da Fundaj

Fundação Joaquim Nabuco  – Av. Dezessete de Agosto, 2187 | Casa Forte 52061-540 | Recife - PE Fone: (81) 3073-6363/Fax: (81) 3073-6203

http://www.fundaj.gov.br

Museu do Cachaça de Paty do Alferes, RJ

Rua Nova Mantiquira 227 – Mantiquira

Paty do Alferes – R.J.

Tel.: (24) 2485.1475

www.muca.com.br

     

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quarta-feira, 28 de março de 2012

CPI do Ecad faz última reunião e Senado reitera convite à ministra

Retirado do Cultura e Mercado em 28/03/12 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/direitoautoral/cpi-do-ecad-faz-ultima-reuniao-e-senado-reitera-convite-a-ministra/

Da Redação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, criada para investigar supostas irregularidades na atuação do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), realizou nesta segunda-feira (26/3) sua última audiência em São Paulo, na Assembleia Legislativa.

Dos oito convidados para reunião, estavam presentes: o presidente do Sindicato de Compositores de São Paulo, Carlos Mendes; o representante do Ecad, Marcello Nascimento;  o cantor Rick, da dupla Rick e Renner; e Sandra Véspoli,  ex-funcionária da entidade e autora do livro “O Outro Lado do Ecad”.

Durante a reunião, que durou cerca de quatro horas, os participantes apresentaram suas queixas contra o escritório. Sandra acusou o Ecad de falta de transparência e de tê-la perseguido após a publicação do livro. Márcio do Val, gerente da instituição, afirmou que Sandra usa “argumentos ultrapassados”, pois, segundo ele, houve uma profunda reformulação na década de 90, para modernizar o Ecad e dotá-lo de melhor estrutura.

A ex-funcionária também questionou a permanência da atual superintendente do escritório, Glória Braga, no cargo há 15 anos. Segundo Sandra, havia rotatividade na cadeira, que trocava de dono a cada dois anos. Do Val rebateu a crítica alegando que a gestão do Ecad até a entrada de Glória não estava tendo sucesso e que ao longo dos últimos anos o escritório obteve êxitos.

Os senadores Randolfe Rodrigues e Lídice da Mata (relatora, substituindo Lindberg Farias) também questionaram o Ecad sobre a cobrança de direitos autorais de blogs. Segundo a entidade, a cobrança ao Caligraffiti estava entre “casos isolados” e o órgão não faz esse tipo de cobrança.

De acordo com o presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o relatório final será entregue no dia 12 de abril e poderá conter o pedido de indiciamento do Ecad por formação de cartel.

Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.

Ana de Hollanda - A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado decidiu, nesta terça-feira (27/3), reiterar o convite à ministra da Cultura, Ana de Hollanda, para uma audiência pública em data ainda a ser definida. Desta vez, porém, a agenda da audiência será ampliada. Além de comentar as denúncias de favorecimento da pasta ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), como estabelecia o requerimento anterior, ela fará uma exposição sobre as prioridades do ministério para 2012.

A renovação do convite e a ampliação da pauta da audiência foram sugeridas pelo presidente da comissão, senador Roberto Requião (PMDB-PR).

O senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP), autor do primeiro requerimento para que a ministra comentasse as denúncias relativas ao Ecad, criticou o fato de a ministra ter ido à Câmara dos Deputados e de não atender ao convite feito pelo Senado. Por sua vez, a senadora Ana Rita (PT-ES) observou que a ministra foi à Câmara falar sobre um tema mais amplo, ou seja, as suas prioridades para este ano.

*Com informações do Estadão.com e do Portal de Notícias do Senado

Redação http://www.culturaemercado.com.br

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Fundação Clóvis Salgado realiza mostra do cineasta Luis Buñuel

Retirado do site da Secretaria do Estado da Cultura de Minas Gerais em 28/03/12 do endereço:

http://www.cultura.mg.gov.br/component/content/article/252-agenda-cultural/719-fundacao-clovis-salgado-realiza-mostra-do-cineasta-luis-bunuel

A Fundação Clóvis Salgado, em parceria com a Embaixada da França e o Instituto Cervantes em Belo Horizonte, realiza de 23 de março a 22 de abril  a mostra Luis Buñuel, o fantasma da liberdade no Cine Humberto Mauro. A mostra consiste em uma retrospectiva integral dos 33 filmes do cineasta espanhol, sendo a maior parte das exibições em 35mm.

Luis Buñuel é considerado o principal expoente do Surrealismo no cinema: seus trabalhos em parceria com Salvador Dalí, Um CãoAndaluz (1928) e A Idade do Ouro (1930) foram marcos absolutos do movimento. Como o cineasta afirma em Meu Último Suspiro (sua autobiografia) através do surrealismo: "(...) eu entrei em contato com um sistema moral coerente que, até onde eu posso ver, não possui falhas. Era uma moralidade agressiva baseada na rejeição completa de todos os valores existentes.” No entanto, se o surrealismo – com maior ou menor força - continuou sendo importante para a obra do diretor, a vasta cinematografia de Buñuel possui relações, diálogos e influências marcantes de outras correntes artísticas, inclusive do próprio Realismo.

A obra de Luis Buñuel traz consigo uma constante inquietação em relação às doutrinas, as crenças e a moral humana. Ele parece sempre nos chamar atenção para as prisões que as convenções sociais podem gerar. Seus filmes são intrigantes em vários sentidos: desde sua temática como as imagens e sons que o diretor articula para abordá-la. Com isso tornou-se um dos cineastas mais criativos da história do cinema: um gênio libertário e, por consequência, cercado de controvérsias.

Programação - Além da exibição de toda a cinematografia do espanhol, serão apresentadas palestras, debate, o lançamento de um catálogo e um curso sobre a obra do cineasta. A entrada para as sessões, palestras, debate e curso é gratuita.

Serviço: Mostra “Luis Buñuel, o fantasma da liberdade”

Data: De 23 de março a 22 de abril

Local:Cine Humberto Mauro – Palácio Dasartes

Informações: www.palaciodasartes.com.br

Telefone de contato: (31) 3236-7400

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Cinema Perto de Você

Retirado do site do Minc em 28/03012 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2012/03/27/cinema-perto-de-voce-6/

Entra em vigor a lei que reduzirá custos para a implantação de salas de cinema no Brasil

Começou a vigorar a partir desta segunda-feira (26), com a publicação no Diário Oficial da União (DOU), a Lei 12.599/2012 , que institui o Programa Cinema Perto de Você e o Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica – RECINE. A lei aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, no dia 23 de março, reduz em cerca de 30% os custos para a implantação de salas de cinema e desonera dos impostos federais a comercialização de equipamentos cinematográficos para a modernização das salas de cinema.

Segundo o diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine/MinC), Manoel Rangel, o novo regime tributário vai contribuir para a expansão do parque exibidor no país e para a digitalização dos cerca de 1.850 cinemas em todo o país que ainda não possuem projeção digital.

O decreto regulamentando o Programa deverá ser publicado nas próximas semanas e trará as definições de procedimentos e a lista dos equipamentos desonerados. A Ancine colocará em Consulta Pública a Instrução Normativa com as regras sobre a apresentação e credenciamento de projetos para o RECINE.

O Programa Cinema Perto de Você vai fortalecer o segmento de exibição cinematográfica, apoiando a expansão do parque exibidor, suas empresas e sua atualização tecnológica, mediante a concessão de linhas de crédito de investimento para a implantação de complexos de exibição; de medidas tributárias de estímulo a expansão e a modernização do parque exibidor de cinema e prioriza a exibição de filmes nacionais nas salas atendidas pelo programa.

Inclui também o projeto “Cinema da Cidade” que é destinado à implantação de salas de exibição pertencentes ao poder público. Podem enviar inscrições ao projeto prefeituras municipais, governos estaduais e do Distrito Federal.

Acesse a Lei nº 12.599/2012

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(Fonte: Ancine/MinC)

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terça-feira, 27 de março de 2012

Exposição: Lendas de Moebius

Retirado do Romã Mídia Livre em 27/03/12 do endereço:

http://www.romamidialivre.com.br/2012/03/exposicao-lendas-de-moebius/

Em homenagem ao genial artista francês Jean Giraud, conhecido por seus pseudônimos Moebius e Gir, falecido no dia 10 de março de 2012, a Escola Técnica de Artes Visuais Casa dos Quadrinhos realiza a exposição ‘Lendas de Moebius’, de 26 de março até 30 de abril. A mostra poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, de 09 às 19 horas e aos sábados, de 9 às 17 horas.

Famoso por seus trabalhos nos quadrinhos como Tenente Blueberry, Incal, Arzach, Garagem Hermética, o especial do Surfista Prateado, co-fundador da histórica Métal Hurlant – que originou a revista Heavy Metal, além de trabalhos para o cinema em filmes como “Willow”, “Tron”, “Alien”, “O Quinto Elemento”, Moebius foi um dos mais talentosos e marcantes artistas do século XX.

A exposição conta com pôsteres, álbuns e revistas nacionais e francesas de coleção particular e homenagens de artistas mineiros. O destaque da mostra são edições, já esgotadas, da raríssima coleção “Legends of Arzach”, lançada pela editora Tundra na década de 90. A coleção traz reinterpretações dos famosos personagens de Moebius feitas por artistas de como Joe Kubert, Mike Mignola, Katsuhiro Otomo, Bryan Talbot, Charles Vess, Will Eisner, Jaime Hernandez, Kevin O’Neill, Michael Zulli, Stephen R. Bissette, Dave Gibbons, Hayao Miyazaki, Bill Sienkiewicz, Walt Simonson, John Buscema, David Mazzucchelli, Jon J Muth e P. Craig Russell.

De 26 de março até 30 de abril de 2012
Segunda a sexta-feira, de 09 às 19 horas. Sábados, de 09 às 17 horas
Local: Espaço Cultural Casa dos Quadrinhos – Av. João Pinheiro, 277 – Funcionários
Entrada free
Informações: 3224 0040
Site: http://
www.casadosquadrinhos.com.br/

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Vila da Música–Virgínia Rodrigues e Alex Mesquita

FLYER_virginia

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casa tomada 2º ciclo de portfólios

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segunda-feira, 26 de março de 2012

10 MUMIA - REGULAMENTO E FICHA DE INSCRIÇÃO

Pessoal, já é oficial, estamos no circuito MUMIA!!!
Retirado do MUMIA em 26/03/12 do endereço:

http://www.mostramumia.blogspot.com.br/2012/03/10.html

10ª MUMIA – MOSTRA UDIGRUDI MUNDIAL DE ANIMAÇAO
BELO HORIZONTE - BETIM – NOVA LIMA - 05 a 31 de outubro 2012.
Locais de exibição:
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes, Centro de Cultura Belo Horizonte, Casa do Baile, Cineclube Joaquim Pedro de Andrade, Cineclube Uma Tela no Meu Bairro, Cineclube Uma tela na minha rua, Cineclube Sabotage, Biblioteca Pública Luis de Bessa, Casa UNA, C.A.S.A (Companhia Artistica Suspensa Armatrux), PUC São Gabriel, Loja Nada- Undió, SESC Palladium– Auditório da Prefeitura Municipal de Betim.
Extensão: Teófilo Otoni, Sabará, Vespasiano e Ribeirão das Neves. (Novembro de 2012)
PALESTRAS + CONVIDADOS + LANÇAMENTO DE LIVRO + RETROSPECTIVAS + LANÇAMENTO DOCUMENTÁRIO SOBRE A PRODUÇÃO MINEIRA DE CINEMA DE ANIMAÇÃO + FESTAS
O melhor da animação mundial nas telas mineiras.
ENTRADA LIVRE
OBJETIVOS:
Objetiva-se a ampliação dos espaços de imaginação e das possibilidades de novo dizer, de novo sentir, e de um novo modo de expressar sendo também um estimulo à cultura cinematográfica brasileira, encarando como espaço para formação de novos espectadores e realizadores. Serão bem aceitos filmes e vídeos feitos sem apoio, com prejuízo para seus realizadores, sem incentivos e realizados com baixo custo ou com nenhum.
ORGANIZADORES:
O MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação, de caráter competitivo, é uma iniciativa de profissionais da animação que tem como apoios: Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Belo Horizonte, Centro Universitário UNA, Prefeitura Municipal de Betim, ABCA, SESC Palladium, Leite Filmes, Pimenta Filmes, Sinpro Minas, Oficina de Imagens, Mucury Cultural, Casa Fora do Eixo e IT Filmes, Comunicação e Entretenimento.
FINALIDADE:
O MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação tem por finalidade divulgar a produção audiovisual de animação de caráter cultural e visa contribuir para o desenvolvimento videográfico quanto a sua linguagem, formato específico e forma de produção. Proporcionar ao público mineiro acesso a uma parcela significativa da produção nacional e internacional, que por não pertencer a grandes produtoras acabam ficando a margem do circuito comercial.
REGULAMENTO
CAPÍTULO I:
DA FINALIDADE
O MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação tem a finalidade de incentivar novas produções audiovisuais de curtas-metragens em animação, por sua inovação e criatividade.
CAPÍTULO II:
DA INSCRIÇÃO
2.1 - A Mostra está aberta às produções nacionais e internacionais , para filmes em animação de qualquer formato, finalizados a partir de 2000, entregues no formato DVD NTSC, independente de seu formato original. Para produções estrangeiras é exigido a lista de créditos e diálogos. Cada participante poderá inscrever com quantos títulos quiserem, inscritos individualmente, mas que poderão ser mandados em um mesmo DVD. Serão também bem aceitos vídeos realizados em outros mundos diferentes.
2.2 - As fichas de inscrição, assim como as copias em DVD dos vídeos deverão ser entregues impreterivelmente até o dia 31 de Maio de 2012, acompanhadas de material de divulgação para o endereço:
10 MUMIA – Centro Universitário UNA - Campus Liberdade
Rua da Bahia, 1764
Lourdes
Belo Horizonte – MG
30160-011
Brasil
Tel: (031) 9804 5253
As fotos devem ser enviadas para o email: leitefilmes@gmail.com
CAPÍTULO III:
DA SELEÇÃO
3.1 - Não haverá seleção de Filmes e vídeos inscritos na mostra. Respeitar-se-á o numero de preenchimento de quatro horas de programação.
3.2 - Os selecionados e programação estarão disponíveis a partir do dia 23 de agosto de 2012 em: http://www.mostramumia.blogspot.com
CAPÍTULO IV:
DISPOSIÇÕES GERAIS
4.1 - Todas as copias enviadas ao MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação, passarão a fazer parte do acervo da mostra podendo ser utilizadas somente para fins culturais em outras mostras tanto no Brasil quanto no exterior, e em programas de televisão sem objetivos comerciais, desde que autorizado pelos seus realizadores.
4.2 - A organização da MUMIA reserva para si o direito de utilizar cenas (ate 30") de filmes inscritos na mostra em programas ou produtos que visem promovê-la.
4.3 - A organização do MUMIA - Mostra Udigrudi Mundial de Animação poderá utilizar imagens, fotos e material gráfico dos vídeos, para divulgação dos mesmos em todas as mídias.
4.4- Todas as animações brasileiras participaram da mostra de extensão do 10 MUMIA nas cidades de Teófilo Otoni, Vespasiano, Sabará e Ribeirão das Neves em novembro de 2012.
4.5 - As inscrições serão confirmadas, via e-mail, aphttp://www.blogger.com/img/blank.gifós o recebimento de todos os itens solicitados.
4.6 - O preenchimento da Ficha de Inscrição vincula o participante à aceitação deste regulamento.
4.7 - Os casos omissos serão solucionados pela comissão organizadora da Mostra Udigrudi Mundial de Animação.
FORMULARIO DE INSCRIÇÃO CLIQUE AQUI
Este ano a concepcao visual esta a cargo do animador Diego Akel de Fortaleza

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chegando nos 800 leitores

Lançada nos finalmentes do ano passado, o número 8 da Revista Mucury faz sucesso de público e crítica.

Estamos batendo os 800 leitroes.

Para todos os gostos e tipos de leitores, a Revista Mucury transita entre artigos científicos à poesia, sem crise.

Sempre com grandes colaboradores, além de todos os que vêm ao longo de 5 anos e 8 números, além de nossa equipe, não é mesmo? Clarice Palles, Daniella Salles, Viviane Silva e Marcelo Torres.

É “tão sortida quanto a feirinha do Veneta”,  tem de tudo: literatura, poesia, cultura popular, antropologia, sociologia e história. E nossa linha editorial só tem um norte: ao menos um texto sobre o Mucuri.

A nove está no forno, aguardem…

Confira outros números clicando aqui.

Para dar uma adiantada, eis o que de recheio:

A palavra em pelo

Viola Caipira

João Evangelista Rodrigues

Jornalista, Escritor e Compositor

http://vialaxia.blogspot.com/

BALADA PARA UMA MOCINHA

A!MOR

AMOR FORA DE HORA

SEM VOCÊ

PARA UMA MENINA COM UMA DOR

Madson Hudson Moraes é poeta e jornalista pela Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo. Suas atividades acadêmicas estão mais voltadas para a Literatura, Música e Poesia Brasileira. Selecionado na 54º Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos e no livro Contos de Outono - Contos de Amor e Desamor, ambos publicados pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Esteve entre os 100 vencedores do Prêmio Literário Waldeck Almeida de Jesus no ano de 2008.

Introdução EFBM

ESTRADA DE FERRO BAHIA E MINAS

Fernando da Matta Machado

Nasceu em 1943 na cidade do Rio de Janeiro (RJ).O pai natural de Diamantina (MG) e a mãe de Teófilo Otoni (MG).

Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ.

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais - IHGMG, do Instituto Histórico e Geográfico de Sabará - IHGSa, do Instituto Histórico e Geográfico do Alto Rio das Velhas – IHGARV e da Academia de Letras Ciências e Artes do São Francisco – ACLECIA.

Autor do livro “Navegação do Rio São Francisco”, do texto “Dados biográficos de Pedro Versiani” e da monografia "Contratação e liquidação de câmbio de exportação".

Organizador dos livro “A Companhia de Santa Bárbara: um caso da indústria têxtil em Minas Gerais” e "Memórias", de João da Matta Machado.

Publicou diversos artigos em jornais e revistas.

Noções Maleáveis sobre o sertão

Mariana Oliveira e Souza

Graduada em Ciências Sociais na UFMG, com ênfase em Antropologia, Arqueologia e formação complementar em História. Atualmente é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFMG e participa do Núcleo de Estudos de Populações Quilombolas e Tradicionais-NUQ-UFMG.

Introspecção e mineiridade: um olhar cultural

Maurício Caleiro

Cineasta e jornalista.

Blog: http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com

“cidade dos mortos – notas sobre o cemitério do Bonfim”

Patrick Arley de Rezende

É fotógrafo e livreiro. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais e é mestrando em Antropologia pela mesma UFMG.

MILTON RIBEIRO TAVARES, "de saudosa memória"

Igor Sorel Tavares

Arquiteto pela UFMG, 1980, com especialização em transportes pelo IBAM, 1983, funcionário da Secretaria Municipal de Indústria Comércio e Turismo da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni.

Os primeiros 123 versos da Eneida de Virgílio

Luís Santiago

Graduado em História pela Universidade Estadual de Montes Claros. Escritor com títulos publicados sob o nome de Luís Santiago (a maioria sem ISBN), com destaque para a série O Vale dos Boqueirões, sobre a história do vale do Jequitinhonha, da qual quatro volumes já foram publicados.

Relações de poder, distribuição do espaço doméstico e o ‘designer’ de interiores

Tania Quintaneiro

Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora adjunta aposentada do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Atua nas áreas de teoria sociológica clássica. Pesquisa a política interamericana e a atuação do Estado, com ênfase nas relações entre o Brasil, os Estados Unidos e América Latina no período da Segunda Guerra Mundial. Pesquisa relações de gênero por meio da produção de viajantes estrangeiros ao Brasil no século XIX. Tem se dedicado especialmente ao estudo da sociologia de Norbert Elias.

Vejo gentes

Bom Dia Mãe

João Quixico Domingos

Natural de Cazenga-Luanda -Angola, mestrando em Ensino da Língua e Literatura Portuguesa

Saca-rolhas

Roberto Taufick

Bacharel em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco/USP, membro honorário da sua Academia de Letras Contista, cronista, romancista, poeta e compositor. Nas horas vagas, Especialista em Políticas Públicas em Gestão Governamental, com foco em antitruste.

Folhei-a:

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Aprender para empreender

Retirado do Cultura e Mercado em 26/03/12 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/tvcem/aprender-para-empreender/

Da Redação

Na segunda parte de sua palestra para o programa Empreendedores Criativos, André Martinez fala sobre o processo de aprendizado e como ele é importante para o desenvolvimento de carreiras, negócios e atividades baseadas em criatividade.

O consultor abordou os aspectos que influenciam o desenvolvimento de um plano estratégico aplicado a empreendimentos criativos.

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Raio-X do cinema brasileiro

Retirado do Óleo do Diabo em 26/03012 do endereço:

http://oleododiabo.blogspot.com.br/2011/07/raio-x-do-cinema-brasileiro.html

Reproduzo abaixo um artigo que escrevi para uma edição recente da Revista Forum.

Raio-X do cinema brasileiro

2010 foi um ano importante para o cinema brasileiro. Por uma razão simples: um filme nacional assumiu a liderança isolada no ranking de público. Tropa de Elite 2 superou o lendário recorde obtido por Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, lançado em 1976, que teve 10,7 milhões de espectadores. O filme de Padilha, exibido em outubro de 2010, registrou até o momento 11,2 milhões de espectadores e obteve um faturamento de 102,3 milhões de reais.

Considerando todos os filmes, nacionais e estrangeiros, o cinema no Brasil vendeu 134 milhões de bilhetes em 2010, um aumento de 19% sobre o ano anterior e um recorde histórico1. Deste total, 19% correspondem a obras nacionais, maior participação desde 2003, quando o lançamento de outros filmes campeões de bilheteria, como Cidade de Deus e Carandiru, levaram-na a 21%.

Mas o público brasileiro ainda tem muito o que crescer. Fica em terceiro ou quarto lugar na América Latina no quesito “per capita”. No México2, por exemplo, a venda de bilhetes em 2010 bateu em 192 milhões de unidades, embora os filmes mexicanos só tenham vendido 10,7 milhões de ingressos. Ano passado os filmes brasileiros venderam 25 milhões.

Qualquer um que admira a multidão aglomerando-se naquela faixa da pirâmide social rotulada de classeC, pode imaginar o que acontecerá quando esses mais de cem milhões de brasileiros entrarem de vez no mercado de consumo, completando sua conversão ao cosmopolitismo moderno, ou seja, aprendendo, entre outras coisas, a curtir um cinema.

Talvez demore, no entanto, para atingirmos o grau de maturidade do mercado norte-americano, cujos filmes venderam 1,32 bilhão de tickets ano passado3. A receita total da venda de ingressos de cinema nos Estados Unidos em 2010 foi de 10,43 bilhões de dólares. A do Brasil ficou em 750 milhões de dólares de dólares.

Um dos graves sintomas de desequilíbrio no mundo é a hegemonia absoluta do cinema americano nos países ocidentais. Em toda Europa e América Latina, a participação de Holliwood nos mercados locais de cinema oscila de 70% a 90%.

Por outro lado, pode-se tirar algumas conclusões interessantes em matéria de geopolítica, se atentarmos para o fato de que, no Irã, 99% dos filmes exibidos são produções locais4.

Considerando que as majors norte-americanas só ousariam distribuir um diretor persa que fosse categorica e furiosamente de oposição ao regime dos aiatolás, depreende-se que os países ocidentais conhecem muito pouco do autêntico cinema iraniano.

India, China, Egito e Japão, também possuem um forte cinema local, com percentual similar ou acima de 50% do total exibido. Já nos EUA, a produção local atende 95% do público.

O mercado mundial de cinema é fortemente concentrado em mãos de seis grandes empresas norte-americanas: Warner, Paramount, Walt Disney, Fox, Sony e a Universal. Segundo um estudo da Recam5, o órgão do Mercosul responsável pela formulação de suas políticas de audiovisual, há muitas décadas que essas corporações recebem generosa ajuda da Casa Branca, através de várias formas de benefícios fiscais. Nos EUA não há Lei Rouanet; existe porém uma política de pesado subsídios às corporações midiáticas responsáveis pela produção cinematográfica, num jogo de favores de poder: os senadores aprovam leis que as beneficiam, e elas os ajudam poltica e eleitoralmente.

As mesmas gigantes americanas dominam o mercado brasileiro de cinema. Apenas a Columbia respondeu por 23% da bilheteria nacional em 2010. A Paramount/Universal garfaram mais 20%; Fox, 19%, e Warner, 13%. Pela primeira vez, todavia, uma produtora brasileira penetrou no grupo das grandes. A Zazen, de Zé Padilha, ficou em quinto lugar entre as maiores distribuidoras de cinema no país.

O desempenho de Tropa de Elite 2, repetindo as excepcionais trajetórias, tanto no Brasil quanto no exterior, de Tropa de Elite 1 e Cidade de Deus, reforça a tese de que uma das formas de elevar o percentual de filmes brasileiros no ranking nacional é apostando no cinema de narrativa, sobretudo o gênero de aventura, com fortes doses de violência, suspense, intriga e dilemas familiares.

O cinema brasileiro, além disso, à diferença de seus vizinhos (especialmente a Argentina), que conseguem boa entrada na Europa através da Espanha, tem pouca projeção no Velho Continente. De 2000 a 2005, o cinema argentino teve uma média anual de 2 milhões de espectadores na Europa (dos quais 1,63 milhão só na Espanha), contra somente 390 mil para as películas brasileiras5.

Dos 2,54 milhões de europeus que assistem anualmente a filmes de países do Mercosul, a Espanha sozinha respondeu por 1,76 milhão de espectadores, a França por 285 mil, a Inglaterra por 158 mil, a Alemanha por 94 mil, a Itália por 71 mil e a Suíça por 65 mil pessoas. Todos os outros países europeus venderam pouco mais de 100 mil bilhetes ao ano de filmes do Mercosul.

Interessante notar que enquanto o cinema argentino é forte na Espanha e França, o cinema brasileiro lidera (entre as nações do Mercosul) na Inglaterra e Alemanha.

Mas o cinema “mercosurenho” enfrenta dificuldades principalmente em casa. A pesquisa da Recam sobre o cinema nos países que integram o Mercosul conclui que la circulación intra-regional de las películas de los países del Mercosur es casi nula. Na região, a participação de filmes do Mercosul em países que não os de origem do filme (“mercosureños no nacionales”) ficou em irrisórios 0,2%.

Em suma, o mesmo cinema argentino que vendeu 1,6 milhão de bilhetes por ano só na Espanha, entre 2000 e 2005, não conseguiu comercializar mais do que 100 mil ingressos por ano no Brasil no mesmo período.

Um dos gargalos do mercado brasileiro de cinema é a escassez de salas. O auge aconteceu em 1975, quando tínhamos 3.276 salas. Não por acaso, no ano seguinte Dona Flor conseguiria 11 milhões de espectadores. Reparem que o público de Dona Flor correspondeu a mais de 10% da população brasileira da época. Um filme hoje que atingisse 10% da população, teria 20 milhões de espectadores.

Depois de chegar a somente 1.000 salas em 1997, número inacreditavelmente irrisório para um país com mais de 190 milhões de habitantes, os espaços de cinema voltaram a crescer gradualmente ao final dos anos 90 com a multiplicação de salas em shopping-centers. A tendência é totalmente oposta ao cinema popular, de rua, que vicejou dos anos 60 aos 80, presente até mesmo nas cidades pequenas e com custo acessível ao trabalhador. O cinema de shopping que passa a predominar no país destina-se exclusivamente a setores abastados da classe média, visto que uma simples ida ao cinema converte-se numa espécie de passeio de luxo, em virtude dos preços altos de ingresso, pipoca, refrigerante, e demais itens (transporte, lanche, etc) ligados ao programa.

A Agência Nacional de Cinema detectou essa tendência, que mantém vastos setores sociais, notadamente a Classe C, longe das telas, e criou em 2010 um programa chamado O Cinema Perto de Você6, para modernizar e reativar salas tradicionais e construir 600 novos cinemas em todo país, até 2014. O programa conta com 300 milhões de reais oriundos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e mais 200 milhões de reais de uma linha do BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura, o PROCULT. O objetivo é justamente levar o cinema para cidades médias, periferias das cidades grandes e algumas áreas rurais de maior densidade populacional.

Entretanto, mais que qualquer programa governamental, é o nível de renda dos brasileiros e o empreendorismo das empresas com planos de oferecer entretenimento acessível às massas que poderá fazer do Brasil uma nova potência mundial em bilheteria audiovisual. O cinema brasileiro será naturalmente o maior beneficiado, visto que as massas emergentes que vem aderindo ao hábito de ir ao cinema não gostam de assistir filmes com legendas ou dos quais não compreendem o contexto.

Mais importante, todavia, que todos os números mencionados é o poder do cinema de construir a imagem de um país perante o mundo e a si mesmo, tornando-se uma poderosa ferramenta de relações públicas da sociedade. Os problemas ideológicos internos do país são discutidos e parcialmente resolvidos no interior das narrativas. Os traumas históricos são tratados pela catarse que é reviver na tela cenas de guerra, revoluções, golpes, tragédias, num processo constante e dialético de reconstrução de símbolos, mitos e crenças.

Dentre as diversas subcategorias do audiovisual, o cinema é a poesia máxima, o santo graal, o sonho ao qual todo profissional do setor se agarra mais apaixonadamente. Porque é o cinema que o imortalizará. E refiro-me especialmente ao cinema de ficção, aquele que, manipulando a realidade, nos dá a sensação de um poder absoluto, nos libertando por alguns minutos da horrível opressão do tempo e da consciência da morte. Segundo a Ancine, 99% do bilhetes vendidos no Brasil em 2010 foram para filmes de ficção.

O Brasil tem uma plêiade de grandes diretores, com destaque para os brilhantes anos 60: Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Rui Guerra, Roberto Farias, Paulo César Saraceni, Sganzerla, para citar apenas alguns. Nos dias de hoje, há também excelentes nomes, mas a maioria dos cineastas – incluindo muitos já consagrados, como Beto Brant, Claudio Assis, Lírio Ferreira, Bressane - tem encontrado dificuldades para atingir uma fórmula que os permitam aliar um trabalho autoral a um mínimo de público. Muitos desses filmes são bastante sofisticados artisticamente, o que lhes valem entrada garantida em mostras nacionais e internacionais, mas não alcançam sequer o nicho intelectual a que eles se dirigem. Naturalmente que as distribuidoras americanas fazem valer sua hegemonia e sabem que é preciso direcionar o “gosto” do público para o tipo de filme que elas mesmos produzem. Aliás, esse é problema, o cinema mundial é dominado por um reduzido cartel, onde as mesmas empresas que produzem, também distribuem os filmes. O sucesso do Tropa de Elite 2, no entanto, que criou sua própria distribuidora, indica que há maneiras de contornar o monopólio das majors. Como diria aquele general vietnamita, o tigre dá medo, mas é de papel.

Por conta do aumento dos recursos disponíveis para produção de filmes, houve quem apregoasse que haveria exagero no número de obras feitas no país. Não é verdade. O Brasil é um dos países que menos produz filmes per capita no mundo. A comparação com a vizinha Argentina, com sua população quase cinco vezes menor que a do Brasil, fala por si mesmo. Em 2009, os cineastas argentinos produziram 77 filmes. Em 2010, a produção brasileira somou 75 filmes.

A produção de filmes per capita no Brasil, segundo o blog Screen Ville7, foi de 0,4 em 2007, similar a da Romênia. Para efeito de comparação, Hong Kong produziu 7,1 filmes por habitante, a Espanha 4,3, França 3,6, Japão 3,2, EUA, 2,0 e Argentina 1,7. Esses índices, por outro lado, não têm ligação direta com a conquista de público doméstico, sobre a qual já falamos acima. Tem a ver sim com um mercado ainda tremendamente fechado para longa-metragens nacionais. Essa muralha erguida pelas distribuidoras americanas leva muitos diretores brasileiros a buscar reconhecimento exclusivamente junto ao público de festivais, aqui e lá fora, decisão que influencia a linguagem de seus filmes e dificulta a interatividade entre grande público e autor.

Notas:

1 Os dados constam do informe de mercado da Agência Nacional de Cinema (Ancine): http://www.ancine.gov.br/media/SAM/Informes/2010/Informe_Anual_2010.pdf.

2 http://www.impactousa.com/entretenimiento/ci_17057138.

3 Os dados do cinema americano constam do site The-Number, especializado em estatísticas de cinema nos EUA e no mundo: http://www.the-numbers.com/market/2010.php.

4 Movie World Stats : http://screenville.blogspot.com/2008/05/2008-world-stats.html.

5 Recam (órgão consultor do Mercosul para audivisual):

http://www.recam.org/_files/documents/aprox_al_mercado_cinemat_del_mercosur.pdf.

6 Cinema Perto de Você – Ancine: http://www.ancine.gov.br/cinemapertodevoce/index.html.

7 Screen Ville, World Stats: http://screenville.blogspot.com/2008/05/2008-world-stats.html.

Tabelas:

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sexta-feira, 23 de março de 2012

MinC na Câmara dos Deputados

O que é de uma notícia ou de uma ideia se não debatida? Alguns gostam assim, outros não.

Pelo sim e pelo não, publicamos agora a versão do MinC sobre a presença e o desempenho da Ministra Ana de Hollanda lá na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados:

Retirado do site do MinC em 23/03/12 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2012/03/21/minc-na-camara-dos-deputados/

Ministra da Cultura participa de audiência pública para apresentar projetos e ações para 2012

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e o secretário-executivo do MinC, Vitor Ortiz, estiveram presentes na manhã desta quarta-feira, 21 de março, na Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados para apresentar as ações prioritárias da Pasta ao longo de 2012. A ministra começou destacando a importância das emendas parlamentares que, em 2011, foram fundamentais para que houvesse os investimentos nas áreas de museus, livros e artes, como a reforma do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), que recebeu investimentos de mais de R$ 13 milhões.

“Queremos lembrar e destacar aqui a importância dessas emendas para nós, pois através delas podemos estender nossos projetos. Também investimos recursos da nossa lei orçamentária para complementar essas emendas. Pois, vemos algumas ações como prioritárias e ajudamos a compor o investimento necessário. Desse modo, conjuntamente, investimos para o crescimento da cultura brasileira”, disse a ministra.

Ao longo de 2012, o MinC deverá investir mais de R$ 142 milhões no projeto Mais Cultura/Mais Educação, realizado em parceria com o Ministério da Educação (MEC). O valor permitirá o lançamento de editais Mais Cultura nas Escolas e a criação de programas como o Cine Educação e Agentes de Leitura nas escolas do campo. A medida vai beneficiar dois milhões de alunos em oito mil escolas.

“Nesse início, nosso foco é a educação básica, mas em parceria com o Ministério da Educação, esse projeto vai se estender, e com isso iremos atingir novos estados, aprofundar estágios de ensino e atender metas especificas como o ensino de culturas afro e indígena nas escolas”, afirmou Ana de Hollanda.

A ministra também se referiu ao PAC Cidades Históricas, que foi inserido recentemente nas ações e programa do PAC, assegurando ações de preservação em 125 cidades, com orçamento previsto de R$ 100 milhões. A ministra também destacou a Rede de Cidadania Cultural, composta pelos programas Praças dos Esportes e da Cultura, Espaços e Bibliotecas Mais Cultura, Usinas Culturais e Pontos de Cultura.

Plano Brasil Criativo

Um dos projetos mais celebrados pelos deputados durante a apresentação de Ana de Hollanda foi o Plano Brasil Criativo, que será desenvolvido pela futura Secretaria de Economia Criativa e que terá o envolvimento de mais dez ministérios. Uma ação estruturante e transversal que irá alçar a cultura e o profissional da área de cultura a um novo patamar. A ação prevê a criação de escritórios em todos os estados brasileiros para dar suporte a artistas que hoje têm dificuldade de se inserir no mercado de trabalho formal, divulgar seu trabalho, questões previdenciárias e outras.

“Não queremos criar pop stars. Desejamos criar condições para que artistas possam viver dignamente de sua produção, de seu trabalho. Que seja profissionalizado e que o Brasil possa conhecê-los e, com isso, conhecer também toda nossa diversidade”, afirmou a ministra.

Fundo Nacional de Cultura

Outro ponto que foi destaque na apresentação foi a destinação de mais de R$ 133 milhões do orçamento do Fundo Nacional de Cultura para a aplicação em programas prioritários, já no primeiro semestre. Entre os programas beneficiados estão o Cultura Viva (R$ 46 milhões); o Plano Brasil Cultural, os microprojetos culturais da Bacia do Rio São Francisco e a recuperação de 57 imóveis em risco no centro histórico de Salvador.

Para o presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputado Newton Lima (PT-SP), a apresentação reflete o comprometimento da gestão do MinC com a cultura brasileira e que os números representam avanços importantes para área. “Os nobres colegas presentes nessa audiência devem ter ficado felizes com o que nos foi apresentado. E quero colocar essa comissão à inteira disposição para que possamos avançar em pautas importantes que tramitam na Casa, como a aprovação do ProCultura”, disse o deputado.

Veja as diretrizes do MinC para 2012

(Texto: Marcos Agostinho, Ascom/MinC)

(Fotos: Janete Lemos)

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Criação do Laboratório Experimental de Educação, Cultura e Arte

A professora da UFVJM, Vanessa Juliana comunicou ontem pelo Facebook, a criação do Laboratório Experimental de Educação, Cultura e Arte, o LEduCArte. Segundo ela:

Trata-se de uma proposta multidisciplinar, envolvendo professores, estudantes e técnicos da FACSAE e do BCeT, que visa implementar processos de conhecimento, experimentação, fortalecimento e projeção cultural e político-social do Vale do Mucuri, por meio de ações articuladas e articuladoras da UFVJM e comunidade em geral.

A sede do LEduCArte é o Campus do Mucuri, ou seja, poderão nos encontrar em quaisquer espaços do campus, embaixo de alguma árvore, atrás de algum tapume, embaixo da escada, em alguma sala de aula, sentados pelo corredor... desenvolvendo nossos estudos, pesquisas, oficinas e demais atividades. Uma de nossas primeiras atividades terá início no mês de abril, com a abertura de duas turmas de teatro, para as quais abriremos inscrições na próxima semana. Venham nos visitar, prestigiem e participem das atividades do laboratório.

Desde o segundo semestre de 2011 a Vanessa Juliana iniciou uma discussão sobre cultura no Mucuri, com presença de alguns ilustres da cultura mineira e dos vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Esperamos e também trabalhamos para a continuidade desta discussão e agora deste LEduCArte, primeiramente na medida em que outras iniciativas do gênero e da própria UFVJM ficaram pelo caminho, e que o espaço da para o debate e a promoção da articulação do setor cultural sejam sempre presentes.

Boa sorte ao LEduCArte! Precisamos de colaboradores para o desenvolvimento do setor cultural e da economia criativa deste Mucuri.

Ah, e antes que esqueçamos, as primeiras atividades do laboratório é nas artes cênicas, confira:

O Laboratório Experimental de Educação, Cultura e Arte, da UFVJM/Campus do Mucuri, promoverá Oficinas de Teatro, a partir do mês de abril.

Serão duas turmas, uma com o Diretor e dramaturgo da Cia In-Cena de Teatro, André Luiz Dias e outra com a Diretora e atriz da Cia de Teatro Os Caras de Palco, Moana Grandinetti.

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Juca Ferreira diz que houve retrocesso no Ministério da Cultura

Retirado do Cultura e Mercado em 23/03/12 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/politica/juca-ferreira-diz-que-houve-retrocesso-no-ministerio-da-cultura/

Da Redação

O ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, esteve na noite desta quarta-feira (20/3) em São Paulo, fazendo a conferência de abertura do I Fórum Internacional de Gestão Cultural: Para Além do Mercado. O encontro é organizado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Comunicação e Cultura (CELACC), núcleo de pesquisas da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, em parceria com a Livraria Cultura.

Em duas entrevistas exclusivas, uma para o site Farofafá e outra para o jornal Folha de S. Paulo, Juca falou sobre sua gestão e fez duras críticas aos caminhos tomados pelo governo Dilma Rousseff na área cultural. “Desastre” e “retrocesso” foram as principais palavras utilizadas pelo ex-ministro, apesar das afirmações de que não poderia avaliar o atual governo, visto que está longe – hoje ele mora na Espanha, onde trabalha na Secretaria Geral Ibero-Americana, órgão da Cúpula Ibero-Americana de chefes de Estado e de governo, que reúne 22 países, incluindo o Brasil.

Entre explicações sobre troca de partido – Juca acaba de se filiar ao PT, após deixar o PV – e opiniões sobre direito autoral e a fiscalização do Ecad, ele afirmou que esteve com Ana de Hollanda logo após sua nomeação e lhe apresentou sua caderneta pessoal com 18 pontos a serem cuidados no Ministério da Cultura, entre eles a Bienal de São Paulo, o apoio a João Gilberto na demanda de recuperar o controle de “Chega de Saudade”, e atenção às leis que estavam no Congresso e que, segundo ele, foram fruto de “gigantesco processo de consulta pública”.

Sobre a reforma da Lei Rouanet, Juca disse que ela foi desvirtuada, a partir da recuperação da proposta dos 100% de isenção fiscal para financiadores privados.

Ao ser questionado pelos jornalistas da Folha se não seria o proponente o prejudicado se as empresas recuassem ao não ter 100% de isenção, Juca afirmou que, quando chegou ao Ministério da Cultura, o orçamento era de R$ 217 milhões; quando saiu, esse valor tinha subido para R$ 2,3 bilhões. “Não era só trabalhar a Lei Rouanet, a gente estava afirmando um projeto. Nós construímos um processo no Ministério da Cultura a partir de critérios públicos. A Cultura nunca foi tão forte que nem no governo Lula”, disse.

Para ler a entrevista completa de Juca Ferreira ao jornal Folha de S. Paulo, clique aqui. Para ler a conversa com o site Farofafá, clique aqui.

Debate - No dia 19 de maio, Cemec e Cultura e Mercado promovem o Seminário #procultura, que vai reunir importantes nomes para discutir os caminhos do projeto que altera a Lei Rouanet. Clique aquipara saber mais.

*Com informações do site Farofafá e do jornal Folha de S. Paulo

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